“Sell-off” nas tecnológicas agita mercados asiáticos. Europa aponta para o verde


As principais praças asiáticas encerraram divididas entre ganhos e perdas, com um “sell-off” no setor tecnológico a limitar os ganhos na região, após ter atirado Wall Street para o vermelho – o Nasdaq Composite perdeu mais de 1%. Mais do que uma possível “bolha” na inteligência artificial (IA), os investidores estão agora preocupados com o impacto desta tecnologia nas fabricantes de software tradicional, depois de a Anthropic ter lançado uma ferramenta de automação para a área jurídica. 


Embora as empresas asiáticas ligadas à análise de dados, serviços profissionais e produção de software tenham caído em reação, a pressão acabou por ser muito menor do que aquela registada nos EUA, uma vez que a Ásia está mais virada para o fabrico de hardware – mercado que domina. O sul-coreano Kospi, com grande peso das ações de IA, saltou mesmo 1,57%, reforçando a sua liderança entre os seus pares regionais. 


“Embora o setor tecnológico asiático venha a sofrer alguma pressão geral, as ações dos setores da energia, equipamentos e ‘chips’ deverão ter um desempenho melhor do que as do setor do software”, explica Matthew Haupt, gestor de fundos da Wilson Asset Management, à Bloomberg. “Hong Kong e China estarão sob maior pressão, dada a sua maior exposição a empresas de software, em comparação com mercados como o da Coreia do Sul”, acrescentou. 


Mesmo assim, tanto o Hang Seng, de Hong Kong, como o Shanghai Composite conseguiram terminar a sessão desta quarta-feira em alta, com o primeiro a acelerar 0,24% e o segundo a crescer 0,85%. As ações do país ligadas à produção de energia solar foram animadas por notícias de que equipas da SpaceX, que recentemente comprou a xAI, e da Tesla visitaram uma série de empresas chinesas, respondendo às ambições de Elon Musk de utilizar a energia solar para alimentar os centros de dados que quer construir – alguns deles no espaço. 


Já no Japão, o “sell-off” tecnológico chegou em força. O Nikkei 225 caiu 0,78%, pressionado pela queda de 7% da fabricante de equipamento para “chips” Lasertec e também pelas perdas de quase 6% da produtora de videojogos Konami Group. Já a Nintendo afundou mais de 9%, apesar de ter mantido as suas previsões de vendas da Switch 2, com os investidores a anteciparem uma série de eventos negativos que podem vir a afetar a gigantes dos videojogos. 


Pela Europa, o sentimento é mais positivo, com uma série de resultados trimestrais que ficaram acima das expectativas a compensarem o pessimismo em torno das tecnológicas tradicionais. A negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, com o Euro Stoxx 50 a avançar 0,16%. 

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts