
O WhatsApp foi alvo de um aviso pelo Supremo Tribunal da Índia, que alertou a empresa responsável pela app de mensagens, a Meta, que não permitirá que “brinque com o direito de privacidade” dos utilizadores indianos. Serve recordar que a Índia é o maior mercado do WhatsApp e que só neste país a plataforma de mensagens conta com mais de 500 milhões de utilizadores. O aviso do Supremo do país surge no âmbito de um caso judicial iniciado no final de 2024 a propósito das práticas de partilha de dados dos utilizadores de WhatsApp com outras plataformas da Meta e empresas que recorrem a elas para exibir anúncios sobre os seus produtos. As informações contidas na mais recente versão beta do WhatsApp para Android indicam que a empresa lançará uma assinatura com o custo mensal de 4 euros, a qual deverá ser subscrita pelos utilizadores caso não queiram ver anúncios publicitários em alguns dos separadores da plataforma. Miguel Patinha Dias | 15:41 – 28/01/2026 O caso, agora a ser julgado no Supremo, levou o juiz Surya Kant a declarar que a política de privacidade do WhatsApp foi “muito bem elaborada para enganar os utilizadores”. “A vossa política de privacidade está elaborada de tal forma que como é que uma senhora idosa e pobre… Ou alguém que vem de uma zona rural poderia compreender as vossas intenções?”, questionou o juiz Kant. O domínio do mercado de comunicações do WhatsApp também foi um tema na internação do juiz Kant, que afirmou que a empresa detida pela Meta criou um monopólio. Apesar disso, Kant notou que a plataforma tem de continuar a dar aos utilizadores a oportunidade de não ter os seus dados pessoais partilhados com terceiros. “Esta é uma forma ‘decente’ de roubar informações privadas”, afirmou Kant de acordo com a Reuters. “Vocês conhecem os vossos interesses comerciais e também sabem como tornaram os consumidores viciados na aplicação. Toda a gente usa (o WhatsApp)… O consumidor não tem escolha, vocês criaram um monopólio”. O Ministério Público (MP) alertou hoje para “mais uma” campanha criminosa de burlas para enganar os contribuintes ao exigir o pagamento de falsas dívidas à Segurança Social, através da plataforma WhatsApp. Lusa | 19:49 – 29/01/2026 O juiz acrescentou ainda que o direito à privacidade é respeito na Índia e que não permitirá que o WhatsApp continue a violá-lo. Haverá uma nova sessão sobre este caso no dia 9 de fevereiro, com o Supremo da Índia a decidir dar ao WhatsApp e à Meta a oportunidade de explicar com maior detalhe as suas práticas de recolha e partilha de dados. Leia Também: WhatsApp lança nova opção para o ajudar a proteger-se de ciberataques
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