O sector empresarial considera que a recente redução da taxa de juro de política monetária (MIMO) deve ser acompanhada por uma intervenção mais activa no mercado cambial, nomeadamente através da injecção de divisas, a fim de maximizar os efeitos positivos da medida sobre a economia real, segundo informou a Lusa. A posição foi expressa pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) que, em comunicado, elogia a decisão do Banco de Moçambique, mas defende que, para garantir maior eficácia, é necessário aliviar a pressão sobre a taxa de câmbio com reforço da oferta de moeda estrangeira no mercado interbancário. Na passada quarta-feira, o Banco de Moçambique reduziu, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa MIMO em 0,25 pontos percentuais, fixando-a agora em 9,25%, mantendo uma trajectória de abrandamento iniciada em Janeiro de 2024. Na ocasião, a autoridade monetária advertiu, contudo, para os riscos associados aos efeitos das cheias no sul do País, que poderão influenciar a evolução dos preços. Segundo a CTA, a descida da taxa de juro representa uma oportunidade para reduzir os custos do crédito bancário, fortalecer o capital circulante das empresas e aumentar a previsibilidade na gestão financeira, factores considerados cruciais num contexto de recuperação económica. “A conjugação destas medidas reforçaria de forma significativa o impacto da política monetária sobre o sector produtivo”, refere a organização, sublinhando que uma injecção de divisas contribuiria também para a redução dos custos de importação e criaria um ambiente mais estável para o planeamento empresarial. A confederação empresarial considera ainda que o actual ciclo de descidas da MIMO tem sido positivo, embora alerte para a persistência de desafios socioeconómicos, agravados recentemente pelas intempéries. Ainda assim, o sector privado saúda a decisão do banco central como um sinal favorável à gradual melhoria das condições de financiamento na economia. Desde Setembro de 2022 que a taxa MIMO se encontrava fixada em 17,25%, tendo o banco central iniciado a sua descida a 31 de Janeiro de 2024, com sucessivas reduções em cada reunião até atingir os actuais 9,25%. Em Março de 2025, a taxa foi ajustada para 15,75%, passando a 9,75% em Setembro e a 9,50% em Novembro. O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, declarou, no anúncio mais recente, que o ciclo de alívio monetário iniciado em Janeiro de 2024 está próximo do seu fim, recordando que o mesmo foi inicialmente projectado para durar até 36 meses. “A perspectiva de inflação mantém-se em níveis de um dígito a médio prazo. Em Dezembro de 2025, a taxa anual situou-se em 3,2%, após os 4,4% registados em Novembro. Consideramos este resultado um sucesso, um nível razoável e baixo de inflação, motivo de orgulho”, destacou Zandamela. O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique reúne-se de dois em dois meses, estando a próxima sessão agendada para 30 de Março de 2026.advertisement

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