Os Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), na região sul do País, estimam prejuízos superiores a 40 milhões de dólares na sequência das chuvas intensas que afectaram as linhas férreas do Limpopo, Ressano Garcia e Goba. A situação mais crítica regista-se na linha do Limpopo, um corredor ferroviário internacional que liga Moçambique ao Zimbabué.

Ao longo deste troço foram identificados vários quilómetros de via submersos, cortes extensos, passagens hidráulicas destruídas e segmentos da linha suspensos, comprometendo a circulação de comboios entre os dois países e afectando o funcionamento do corredor Moçambique–Zimbabué.

A informação foi avançada pelo director de engenharia dos CFM, Frederico Jorge, em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM), durante uma visita técnica de avaliação aos pontos mais críticos da linha do Limpopo, na província de Gaza. Segundo o responsável, o levantamento definitivo dos prejuízos ainda se encontra em curso.

“Estamos a falar de um custo estimado de cerca de 40 milhões de dólares, mas este valor ainda não é definitivo. Precisamos que o nível das águas baixe para termos uma avaliação mais exacta”, afirmou Frederico Jorge, referindo-se aos custos previstos para a reabilitação do troço afectado.

A análise preliminar aponta para um cenário de destruição significativa em vários distritos atravessados pela linha, nomeadamente Magude, na província de Maputo, bem como Chókwè, Mapai e Chicualacuala, todos localizados na província de Gaza, com impacto directo na circulação ferroviária. “Neste momento, temos cerca de 22 quilómetros de via submersos na zona sul e, no total, quase quatro quilómetros de linha suspensa. Os danos são muito avultados”, explicou.

Durante a verificação no terreno, a equipa técnica dos CFM, integrada por membros do conselho de administração, directores e engenheiros, percorreu quase 173 quilómetros, desde a cidade de Maputo até à zona de Mutasse, no limite entre os distritos de Magude e Chókwè, onde foi identificado um dos primeiros cortes visíveis na via-férrea.

“Aqui temos um corte com uma extensão aproximada de 100 metros, mas mais adiante existem vários outros pontos semelhantes. Neste momento, ainda não somos capazes de quantificar com exactidão todos os danos”, esclareceu Frederico Jorge, sublinhando a complexidade do processo de avaliação.

De acordo com os CFM, os prejuízos resultam do fenómeno técnico conhecido como “wash away”, provocado pelo volume excessivo de água que ultrapassou a capacidade das passagens hidráulicas. Este excesso levou à destruição de aterros e de sub-estruturas da linha. “O sistema não teve capacidade de encaixe e o que aconteceu foi a lavagem de toda a estrutura que compõe a linha-férrea”, detalhou o director de engenharia.a d v e r t i s e m e n t

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