a d v e r t i s e m e n tO comércio interno de África no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) continua a ser um dos motores económicos mais subdesenvolvidos do continente, representando uma fracção do comércio total quando comparado com outras regiões. No entanto, alguns países estão a impulsionar a mudança para uma maior integração regional, exportando mais mercadorias para os mercados vizinhos.

O sistema comercial africano está a entrar numa fase decisiva, à medida que o continente se adapta à perda do acesso preferencial de longa data ao mercado dos Estados Unidos, da América (EUA) com a ZCLCA a emergir como um quadro fundamental para impulsionar o comércio intra-africano e reduzir a dependência de parceiros externos.

Durante anos, o crescimento das exportações foi impulsionado pela Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que oferecia entrada isenta de direitos aduaneiros para vestuário, produtos agrícolas e peças automóveis nos EUA. Isto ajudou a expandir as indústrias em vários países, mas também consolidou a dependência de políticas determinadas fora de África.

Agora, com os EUA a adoptarem tarifas mais proteccionistas e os benefícios da AGOA a desaparecer, os exportadores enfrentam custos mais elevados e uma competitividade reduzida.

A ZCLCA apresenta um caminho para transferir a produção e a procura para o interior, mas o progresso começa com a compreensão da estrutura actual do comércio intra-africano, que representou apenas cerca de 14% do comércio total do continente em 2024, em comparação com cerca de 60% na Ásia e na Europa. As cadeias de valor regionais fracas continuam a limitar os efeitos económicos e o crescimento industrial continental.

Para prosperar num cenário pós-AGOA, África deve consolidar o poder comercial interno e transformar a procura regional no seu principal motor de expansão económica.

Novos dados da Tralac (focada no desenvolvimento de capacidades em direito e política comercial) e da AGOA.info destacam a liderança esmagadora da África do Sul, que contribui com mais de um quarto — cerca de 28% de todas as exportações intra-africanas. Essa participação é quase igual à contribuição combinada de todos os países fora dos dez maiores exportadores, destacando a sua capacidade industrial incomparável.

O Egipto segue com 7%, enquanto a Nigéria e a República Democrática do Congo detêm 6% cada. Costa do Marfim, Djibuti, Gana, Marrocos, Namíbia e Zâmbia são contribuintes menores, mas notáveis.

Juntas, estas economias de alto desempenho estão a moldar as cadeias de abastecimento, impulsionando a industrialização e promovendo as ambições da ZCLCA. Todas as restantes economias africanas juntas representam apenas 32% das exportações internas. Isto demonstra que, embora algumas nações tenham redes de produção e logística fortes, muitas outras continuam a depender fortemente de fornecedores externos, mesmo para bens básicos.

O desequilíbrio apresentado na tabela de exportações intra-africanas é um claro aviso sobre a fragilidade do actual sistema comercial do continente.

Especialistas em comércio e desenvolvimento têm apelado continuamente aos Governos africanos para acelerarem a implementação da ZCLCA no sentido de desbloquear um comércio intra-africano mais forte e o crescimento regional.

Num workshop da ZCLCA em Lusaka, Zâmbia, funcionários da Comissão Económica das Nações Unidas para África salientaram que o progresso deve traduzir-se em benefícios reais.

“A implementação acelerada não se resume apenas à velocidade, mas também à profundidade, inclusão e sustentabilidade”, afirmou Eunice Kamwendo, directora da Comissão Económica das Nações Unidas para a África Austral, enquanto Andrew Mold, director do Escritório sub-regional para a a mesma instituição, observou que “as exportações intra-regionais já representam cerca de 30% na África Oriental e Austral, oferecendo uma base sólida sobre a qual construir.”

Para que África resista às mudanças do mercado global e ao aumento das tarifas das grandes potências, o comércio intra-africano deve tornar-se a espinha dorsal do seu crescimento económico.

Fonte: Business Insider Africa

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts