O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, nesta sexta-feira, 30 de Janeiro, que a nova fábrica de processamento de grafite é uma “oportunidade para Moçambique se consolidar no mercado global como fornecedor de minérios transformados, onde há alta procura de grafite de alta pureza”, noticiou a Lusa.

“Esta fábrica constitui uma oportunidade concreta para Moçambique de se consolidar no fornecimento global de produtos minerais transformados dentro do nosso país, rompendo com o modelo histórico de simples exportação de matéria-prima bruta”, declarou Daniel Chapo, ao inaugurar a primeira fábrica de produção e processamento de grafite no País.

Erguida no distrito de Nipepe, a cerca de 400 quilómetros da cidade de Lichinga, capital da província de Niassa, no norte, a fábrica ocupa uma área de 2469 hectares de capital chinês, avaliada em cerca de 200 milhões de dólares, com uma capacidade de produção e processamento anual de 200 mil toneladas de grafite.

Esta infra-estrutura emprega, neste momento, 1090 trabalhadores, devendo alcançar mais de dois mil empregados quando alcançar a sua máxima capacidade de produção, conforme informação da empresa.

Para Chapo, a inauguração da fábrica é um indicador claro de busca de soberania económica, estando a apostar-se na transformação das potencialidades em riqueza para as populações. “Hoje, a província de Niassa, o distrito de Nipepe e Moçambique entram no mapa industrial do mundo. Mais do que inaugurar uma unidade de produção, celebramos aqui a visão de um país que deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima bruta aos países estrangeiros e passa a afirmar-se como produtor, transformador e exportador do valor acrescentado de matéria-prima”, salientou o governante.

Para o chefe do Estado, a implantação daquela unidade industrial visa facilitar o processamento do minério local para obter “grafite puro e de qualidade internacional” que responda a exigências internacionais com base na eficiência produtiva, responsabilidade económica e no impacto económico e social, pedindo apoio local à unidade fabril.

“Ao apostar no processamento local, Moçambique posiciona-se de forma estratégica no contexto global de crescente procura por grafite de alta pureza, essencial em sectores que demandam o futuro, como o armazenamento de energia ao nível das baterias, a mobilidade eléctrica e electrónica e outras aplicações tecnológicas avançadas ao nível do mundo”, acrescentou.

O Presidente defendeu ainda que a exploração e transformação de recursos deve respeitar as comunidades locais, incluindo os seus hábitos e culturas, preservando a dignidade humana e assegurando uma partilha justa e digna dos benefícios de exploração, rumo ao desenvolvimento sustentável das comunidades, elogiando a construção de 125 casas melhoradas para o reassentamento, além de um mercado local, centro de saúde e posto policial.

“Moçambique quer investimento responsável, transparente e comprometido com a protecção da vida, da natureza, do trabalhador e da dignidade das comunidades locais”, disse Chapo, prometendo reformas profundas no sector de energia e recursos minerais.

Nas mesmas declarações, mostrou-se preocupado com as irregularidades na actividade mineira na província de Niassa, prometendo esforços idênticos aos aplicados em Manica, centro do País, com a suspensão das actividades. “Estamos a disciplinar o licenciamento mineiro, mantendo encerrado o cadastro mineiro para garantir o cumprimento das obrigações técnicas e fiscais e eliminar áreas improdutivas que prejudicam o interesse nacional. Estamos preocupados com a província de Niassa, mais concretamente na zona de Lupilichi, onde temos a ocorrência de ouro e a mesma desorganização se verifica”, avisou, pedindo um sector mineiro mais organizado e transparente.

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