A seca afectou a primeira época agrícola em pelo menos seis províncias angolanas assistidas pela ADRA, organização de apoio rural, que apela a medidas governamentais para diminuir a dependência exclusiva de chuvas, avançou nesta quinta-feira (29) à Lusa o director-geral, Simione Chiculo. Segundo a agência, o responsável disse que a ADRA – Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente – tem intervenção nas províncias da Huíla, Cunene, Huambo, Malanje, Benguela, Namibe, Luanda e Icolo e Bengo, com uma acção virada para o reforço da capacidade produtiva e organizativas dos camponeses, que praticam na sua maioria agricultura de sequeiro, com excepção das duas últimas. “E a estiagem, um período prolongado numa época chuvosa sem chuva, afectou praticamente todas essas províncias, excepto Luanda e Icolo e Bengo. As demais foram afectadas pela seca que comprometeu a actividade agrícola destas comunidades”, afirmou Simione Chiculo, acrescentando que a primeira época agrícola “ficou totalmente comprometida”, sublinhando que a agricultura de sequeiro “depende muito das chuvas.” No centro e sul de Angola, a primeira época vai de Outubro até início de Janeiro e a segunda decorre entre finais de Janeiro até perto de Maio. “A primeira época, infelizmente, em quase todas as localidades ficou totalmente comprometida sobretudo nas culturas de cereais. No caso do centro e sul, estamos a falar do milho, massango e a massambala e também as leguminosas, especificamente o feijão, que ficou bastante comprometido nessas zonas todas”, descreveu. Para mitigar os efeitos da estiagem, o director-geral da ADRA considera necessário o apoio local das autoridades, com a criação de condições para os camponeses não dependerem exclusivamente da agricultura de sequeiro ou somente da rega das chuvas. Com o regadio, “é possível controlar-se os danos causados ​​por esse efeito”, considerou, destacando que “de outra forma são respostas de emergência”, envolvendo normalmente a distribuição de comida, já que a seca afecta automaticamente o acesso aos alimentos. A resposta imediata seria talvez a distribuição de comida, mas são acções bastante paliativas, emergentes, que no nosso entender não geram sustentabilidade quando se espera dar resposta às consequências causadas pela seca”. Simione Chiulo entende que “ainda não é visível uma acção estruturante” das autoridades para o problema da seca, “tirando o que acontece no Cunene com a construção do Canal do Cafu e outros sistemas que vão sendo construídos” que, segundo o responsável, “não atendem nem sequer a metade das necessidades do Cunene, muito menos às necessidades do sul de Angola”. Na semana passada, o secretário de Estado para as Florestas angolano, João da Cunha, afirmou que o Governo está a fazer o levantamento de localidades do país que registam irregularidades de chuvas, tendo já algumas províncias respondido. “Obviamente vai começar nos próximos dias a segunda época e estamos a preparar-nos para reforçar a produção, valorizando aquilo que temos estado a fazer nos pequenos perímetros irrigados. Estamos a reabilitar algumas valas de regas, represas, algumas barragens, que vai permitir com que possamos produzir durante todo o ano sem termos de esperar permanentemente pelas chuvas”, salientou o governante. Por sua vez, o presidente da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-pecuárias de Angola, José Luís, avançou que a seca é uma preocupação para uma actividade sazonal, considerando importante o diagnóstico que o Governo está a fazer. “Ainda continuamos a produzir para a sobrevivência, não estamos ainda a produzir com carácter económico, empresarial”, frisou, vincando que um pequeno período sem chuvas, “para se colocar as sementes na terra” significa estar já em presença de seca. “Já tivemos no Cubango, mas já está a chover, também já tivemos em algumas áreas da Lunda Sul, mas também já há chuvas. São mesmo questões sazonais”, acrescentou.

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