advertisemen tOs empréstimos chineses têm contribuído para reduzir lacunas cruciais de desenvolvimento em todo o continente, incluindo auto-estradas, caminhos-de-ferro, centrais eléctricas e portos. No entanto, à medida que as condições económicas globais se apertam e a sustentabilidade da dívida se torna uma preocupação maior, os países africanos com pouca exposição a empréstimos chineses encontram-se numa posição mais favorável e resiliente. Actualmente, o envolvimento financeiro da China com África está a passar por uma mudança significativa. Segundo a Base de Dados de Empréstimos Chineses a África (CLA), mantida pelo Global Development Policy Center da Universidade de Boston, os compromissos de empréstimos chineses aos Estados africanos caíram para pouco menos de 2,1 mil milhões de dólares em 2024, distribuídos por apenas seis projectos no continente. Isto representa uma queda significativa em relação aos máximos do início da década de 2010, quando o crédito chinês rotineiramente ultrapassava os 10 mil milhões de dólares por ano. Tal situação conduziu inadvertidamente a que alguns países africanos, que normalmente recorrem a financiamento externo para obras públicas, recebessem menos empréstimos. Entre 2000 e 2024, 42 credores chineses assinaram 1319 contratos de empréstimo, no valor de 180,87 mil milhões de dólares, com 49 Estados africanos e sete entidades regionais. Estes empréstimos financiaram mais de 900 projectos, totalizando 316 mil milhões de dólares, em sectores como transportes, electricidade, água e saneamento, e infra-estruturas digitais, contribuindo assim de forma considerável para o crescimento económico, bens públicos e redução da pobreza. Contudo, o limitado volume de empréstimos chineses em 2024 indica uma recalibração estratégica. As instituições financeiras chinesas adoptaram uma abordagem mais selectiva e avessa ao risco, concentrando o financiamento em países com ligações estabelecidas, mercados mais profundos e perspectivas de lucro evidentes. Em 2024, Angola liderou com 1,45 mil milhões de dólares para projectos de transmissão de energia e transportes, enquanto o Quénia, Egipto, República Democrática do Congo e Senegal receberam contribuições mais baixas. As prioridades sectoriais também estão a alterar-se. O financiamento manteve-se concentrado em transportes, transmissão de energia, água, saneamento e serviços financeiros. Cooperação China-África Independentemente do retrocesso, a China mantém-se comprometida com África. No Fórum de Cooperação China-África de 2024, o Presidente Xi Jinping prometeu aproximadamente 51 mil milhões de dólares em novos financiamentos, expansão de projectos de infra-estruturas e criação de um milhão de empregos. Analistas salientam, no entanto, que esta promessa provavelmente se centrará em projectos menores, estrategicamente seleccionados, em vez dos empréstimos de múltiplos mil milhões do passado. Embora o país Asíatico continue a ser um parceiro importante, o período de financiamento amplo e de alto valor poderá estar a ceder lugar a uma abordagem mais selectiva e estrategicamente calculada, que valorize os retornos, a gestão do risco e a influência direccionada em vez do volume. Na tabela abaixo estão os países africanos com o menor volume de empréstimos chineses de 2000 a 2024, segundo dados do Global Development Policy Center da Universidade de Boston. Fonte: Business Insider
Painel