O secretário de Estado para o Petróleo e Gás de Angola, José Barroso, afirmou, nesta quarta-feira (28) que o Governo pretende reforçar o investimento na exploração petrolífera para travar o declínio da produção e manter o nível acima de um milhão de barris por dia.

À margem do evento de lançamento da Angola Oil & Gás, José Barroso salientou que a principal preocupação do Executivo é o acentuado declínio da produção e a necessidade de manter o nível acima de um milhão de barris de petróleo por dia. “Para isso temos de investir em exploração”, afirmou, assinalando o regresso recente de empresas como a Shell, que assinou acordos com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a Equinor e a Sonangol para a exploração de 17 blocos offshore em Angola.

“Acreditamos que essa é, no fundo, a acção certa, trazer novas empresas e convencer as que já cá estão a investir em exploração. Sem produção não vamos poder, por muito tempo, manter a extracção nos níveis que temos hoje”, declarou, defendendo a necessidade de inverter a actual curva de queda da produção petrolífera.

O responsável referiu ainda que continuam presentes no país as principais petrolíferas internacionais, que têm desenvolvido “alguma actividade de exploração dentro das áreas de desenvolvimento”, com o objectivo de substituir progressivamente os reservatórios de petróleo em declínio. mencionando a francesa TotalEnergies, a Azule Energy, uma parceria entre a italiana Eni e a britânica BP, a norte-americana Chevron, entre outras empresas que, segundo disse, “continuam a apostar na inovação para que se possa produzir mais nos mesmos campos”.

Questionado sobre o impacto da situação geopolítica internacional, em particular após a intervenção dos Estados Unidos da América (EUA) na Venezuela, José Barroso afirmou que Angola tem de se concentrar “no que pode controlar”, sobretudo nos factores internos. Entre os mesmos, apontou a criação de condições de mercado atractivas e de um quadro legal e fiscal que responda às expectativas dos investidores, sublinhando que as circunstâncias geopolíticas afectam sobretudo os preços dos hidrocarbonetos.

“E como nós não conseguimos controlar essas situações, concentramo-nos em produzir cada vez mais para, no fundo, compensar a possível perda de valor do barril de petróleo nos mercados internacionais”, realçou.

Sobre a transição energética, considerou que a indústria petrolífera deve também contribuir, adoptando “novas formas de trabalho, novos equipamentos, mais amigos do ambiente”. Relativamente à aposta no gás, o governante afirmou que o objectivo não é substituir o petróleo.

“Nós achamos que o gás também é uma fonte de energia complementar. Portanto, é uma questão da diversificação da matriz energética, onde o petróleo e o gás têm igual importância”.

O evento, organizado pela Energy Capital & Power, foi lançado nesta terça-feira (27) à noite e apresenta-se como uma “plataforma estratégica para decisores políticos, operadores, financiadores e prestadores de serviços definirem o rumo das próximas cinco décadas de desenvolvimento dos hidrocarbonetos”.

A organização realça o ambiente de negócios em Angola, com “rondas de licenciamento plurianuais, um regime de oferta permanente e oportunidades em campos marginais que garantem acesso regular a novos blocos”, estimando que o investimento upstream (prospecção, exploração e produção de petróleo) atinja 70 mil milhões de dólares nos próximos anos.

Fonte: Lusa

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