Uma petição pública dirigida às autoridades portuguesas solicita a cooperação da Polícia Judiciária (PJ) para investigar o rapto de um cidadão luso-moçambicano, que se encontra desaparecido há mais de três meses. Trata-se do empresário Francisco José Casquinha Cêra, de 69 anos, raptado no dia 7 de Outubro de 2025, na cidade de Maputo, em frente ao seu estabelecimento comercial, por homens armados. “Dada a gravidade da situação, o tempo decorrido e a angústia vivida pela família e pela comunidade, os signatários desta petição consideram essencial que o Estado português, através da Polícia Judiciária, avalie e actue dentro das suas competências legais, nomeadamente através de mecanismos de cooperação internacional, em defesa de um cidadão nacional, como é comum em situações semelhantes”, lê-se na petição citada pela Lusa. De acordo com a publicação da agência portuguesa, o pedido surge num momento em que uma equipa de três membros da PJ se encontra em Maputo para prestar auxílio na investigação da morte do banqueiro português Pedro Reis, de 56 anos, executivo do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), liderado pela Caixa Geral de Depósitos. A teoria das autoridades moçambicanas, contestada publicamente, é a de que o português suicidou-se na casa de banho de um hotel de luxo em Maputo, no dia 20 de Janeiro. Esta petição, dirigida ao director nacional da Polícia Judiciária e às autoridades competentes em Portugal, solicita a activação de mecanismos legais, incluindo a cooperação internacional e judicial, com vista ao apuramento dos factos, à localização da vítima e, se for caso disso, à responsabilização dos autores, nos termos da lei. “Esta solicitação não visa substituir ou interferir com as investigações em curso noutros Estados soberanos, mas sim reforçar a necessidade de um envolvimento activo das autoridades portuguesas, em defesa de um cidadão nacional e do princípio fundamental da protecção dos seus direitos, independentemente do seu local de residência”, avança, solicitando à PJ que “avalie formalmente o caso e determine a abertura de procedimentos de investigação que sejam legalmente possíveis”. Os requerentes solicitam ainda que “sejam activados os canais de cooperação internacional adequados com as autoridades moçambicanas e que seja garantido o acompanhamento institucional e a informação regular à família da vítima”. A última informação pública sobre o caso surgiu em 8 de Outubro, quando o Governo moçambicano afirmou ter sido informado do sequestro do empresário e que aguardava a resposta das forças de segurança. “As forças estão, de facto, empenhadas em esclarecer as circunstâncias em que o incidente ocorreu”, afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, após a reunião semanal do órgão. Em Junho do ano passado, as autoridades haviam anunciado uma redução para metade no número de raptos na capital durante os primeiros cinco meses do ano, registando-se quatro casos contra oito no período homólogo de 2024. Ainda assim, dados do Ministério do Interior indicam que, desde 2011 até Março de 2024, foram registados 185 raptos, com pelo menos 288 detidos por suspeitas de envolvimento neste tipo de crime.

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