advertisemen tA iniciativa científica internacional que analisa o papel das mudanças climáticas em eventos meteorológicos extremos World Weather Attribution (WWA), considera que as alterações climáticas induzidas pelo comportamento humano e o fenómeno atmosférico La Niña criaram uma “tempestade perfeita” na África Austral, com chuvas 40% mais intensas que no período pré-industrial. “As alterações climáticas e o fenómeno La Niña combinaram-se para criar uma tempestade perfeita nas mortíferas inundações na África Austral”, dizem estes peritos meteorológicos num relatório divulgado nesta quarta-feira (28), no qual afirmam que “a intensidade das chuvas torrenciais aumentou 40% desde a era pré-industrial, com algumas áreas a receberem mais de um ano de chuva em apenas alguns dias” nesta região do sul de África. No relatório, a WWA lembra que vários relatórios internacionais “sugerem que cerca de 200 pessoas perderam a vida e centenas de milhares foram afectadas, uma vez que as comunidades que já enfrentam uma extrema vulnerabilidade a eventos climáticos severos foram duramente atingidas” pelas persistentes cheias na região. Entre as principais conclusões do estudo que analisou a situação na África Austral nas últimas semanas, a WWA salienta que a intensidade e a frequência das cheias aumentaram devido às alterações climáticas e ao fenómeno meteorológico recorrente La Niña, que traz consigo chuvas frequentes. “Os eventos extremos de precipitação de dez dias na região tornaram-se significativamente mais intensos devido às alterações climáticas induzidas pelo Homem, com dados observados a mostrarem um aumento de 40% na intensidade da precipitação desde a era pré-industrial”, aponta-se nas conclusões do relatório, que salienta que se é certo que dez dias seguidos de chuva continuam a ser relativamente raros, “teriam sido ainda mais raros num clima pré-industrial.” O documento aponta que o fenómeno La Niña “contribuiu para o desastre, aumentando a probabilidade de precipitações extremas e sua intensidade”, e salienta que “uma parte significativa da população vive em condições informais e enfrenta um alto risco de inundações devido à rápida urbanização, ao planeamento insuficiente e ao acesso a serviços básicos”, o que fez com que, num cenário de chuvas prolongadas, tenha havido o “colapso de muitas casas e estradas que deixaram pessoas deslocadas muito tempo depois da chuva ter parado”. Segundo a WWA, “em Moçambique, mais de 75 mil pessoas em seis províncias foram afectadas, com o número a aumentar rapidamente à medida que os rios transbordavam e as comunidades eram inundadas; as inundações destruíram mais de 70 mil casas, danos em instalações de saúde e escolas e interrupção de aproximadamente 5 mil quilómetros de estradas, incluindo a principal autoestrada nacional (N1), isolando a província de Gaza“. Na análise, os especialistas meteorológicos dizem ainda que “os meios de subsistência foram gravemente comprometidos, com a perda de mais de 105 mil hectares de terras agrícolas e 34 mil cabeças de gado, agravando a vulnerabilidade em áreas já afectadas pela seca de 2023 e 2024”. Segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique, o número de mortos nas cheias das últimas semanas no País subiu na quarta-feira para 15, com 700 mil afectados. Os dados do INGD apontam que até a tarde de quarta-feira, as cheias que se registam em vários pontos do território já afectaram 699 924 pessoas, equivalente a 165 494 famílias, ainda com 15 mortos – mais um face a terça-feira -, 3527 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165 946 inundadas. Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e, agora, dez desaparecidos na sequência destas cheias, desde 7 de Janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam socorro no sul de Moçambique. Desde o início da época das chuvas, em Outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há registo de 139 mortos, além de 148 feridos e de 820 802 pessoas afectadas, segundo os dados do INGD.
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