A produção de materiais como o betão e os tijolos cerâmicos é altamente intensiva em energia. Um estudo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) de 2025 indica que o sector da construção civil consome 32% da energia global e é responsável por 34% das emissões globais de CO₂. Ao mesmo tempo, multiplicam-se as alternativas para descarbonizar os edifícios. Uma possível solução foi desenvolvida na Coreia do Sul: um bloco de construção ecológico feito a partir de resíduos plásticos reciclados.
Redes de pesca antigas, bóias e lonas agrícolas são exemplos de plásticos reaproveitados na fabricação do novo bloco. Trata-se de plásticos de baixa qualidade e, geralmente, de difícil reciclagem, oferecendo assim uma alternativa de reutilização para materiais como o PVC utilizado na agricultura, que são complicados de reciclar por estarem contaminados com solo, sal, matéria orgânica ou resíduos químicos.
O processo de fabrico envolve a reciclagem de materiais difíceis de separar e limpar, transformando-os em componentes de engenharia civil altamente funcionais através de extrusão e moldagem, sem danificar a estrutura polimérica existente.
Em vez de limpar, separar e decompor os plásticos em polímeros brutos, os resíduos plásticos mistos são fundidos directamente em blocos utilizáveis, preservando a resistência e a flexibilidade dos materiais. Isso evita os custos e as emissões associados à reciclagem tradicional.
A tecnologia permite, assim, a substituição de blocos de betão em muros de contenção. Comparado com produtos existentes no mercado, o bloco de plástico reciclado apresenta uma resistência à tracção dez vezes superior e reduz as emissões de carbono em mais de 20% durante a construção, segundo a fabricante WES-Tec Global. O bloco foi desenvolvido em conjunto com a organização sem fins lucrativos Korea Low Impact Development Association (Associação Coreana para o Desenvolvimento de Baixo Impacto).
Enquanto os aspectos ecológicos não são evidentes à primeira vista, o design dos blocos não passa despercebido. Em forma de cruz e com um centro oco, o bloco coreano, baptizado de “Eco-C Cube”, possui uma estrutura de encaixe que permite aplicações flexíveis, adaptando-se ao ambiente e ao local da construção.
O processo de fabrico envolve a reciclagem de materiais difíceis de separar e limpar, transformando-os em componentes de engenharia civil altamente funcionais através de extrusão e moldagem, sem danificar a estrutura polimérica existente
Como peças modulares em forma de cubo, é possível encaixá-las e uni-las em três dimensões. Essa flexibilidade foi um dos aspectos reconhecidos pelo Edison Awards 2025 (uma premiação americana que homenageia produtos, serviços e líderes mundiais focados em criatividade e impacto), onde o produto ganhou a medalha de prata na categoria “Solução Avançada de Infra-estruturas de Engenharia.”
“Estamos muito orgulhosos de que a Westec Global tenha comprovado a excelência da tecnologia coreana no cenário mundial”, afirmou Choi Kyung-young, presidente da Associação Coreana para o Desenvolvimento de Baixo Impacto. “Esperamos que esta conquista seja um ponto de viragem que acelere a expansão internacional da indústria nacional de tecnologia climática.”
Já Choi A-yeon, directora-executiva da Westec Global, declarou que o “Eco-C Cube é uma tecnologia capaz de responder simultaneamente à crise climática, promover a circulação de recursos e alcançar a neutralidade carbónica.”
A Westec Global planeia aplicar activamente esta tecnologia em cidades costeiras, zonas propensas a inundações e áreas sujeitas a deslizamentos de terras em todo o mundo, procurando simultaneamente a padronização internacional da infra-estrutura. Para além da resiliência climática, o novo produto pode oferecer soluções para construções mais rápidas, económicas e com menor pegada de carbono.
Fonte: Ciclo Vivo
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