“É necessário acelerar o ritmo”, considera o secretário-geral das Nações Unidas a propósito do Dia Internacional da Energia Limpa, que se assinala esta segunda-feira, 26 de janeiro. Para António Guterres, numa altura em que o mundo já ultrapassou o limite de 1,5 graus de aquecimento global, a resposta passa por garantir que “uma transição justa, ordenada e equitativa” que se mantenha “longe dos combustíveis fósseis”. As energias renováveis ​​são “a fonte de eletricidade nova mais barata na maioria dos lugares”, destaca o comunicado das Nações Unidas, que lembra que em 2024, “pela primeira vez, o vento, o sol e outras fontes renováveis ​​geraram mais eletricidade a nível mundial do que o carvão”. Para além do impacto climático, a ONU sublinha os efeitos sociais e económicos da expansão das renováveis, que “conectam comunidades ainda privadas de eletricidade” e abrem caminho a “melhor saúde, educação e oportunidades”. Ao mesmo tempo, diz, sustentam novas indústrias, criam emprego e ajudam a proteger os países de choques geopolíticos e da instabilidade dos mercados energéticos. Ainda assim, o secretário-geral alerta que “a revolução das renováveis ​​não está a avançar com rapidez nem alcance suficientes”, sobretudo devido a entraves como o atraso das infraestruturas de rede face à expansão da capacidade instalada e os elevados custos de financiamento, que continuam a excluir muitos países da transição. Portugal, apesar de continuar entre os países com maior peso de renováveis ​​na eletricidade, registou em 2025 dados menos positivos nesta matéria. Segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis ​​(APREN), a incorporação renovável caiu para 75,6%, menos 4,9 pontos percentuais do que em 2024, e o recurso ao gás natural aumentou de forma significativa. No mesmo sentido, as emissões do setor elétrico cresceram 36,5%, atingindo cerca de 2,9 milhões de toneladas de CO2. Para o presidente da APREN, Pedro Amaral Jorge, “o ritmo atual de crescimento da instalação de potência elétrica com base em fontes renováveis ​​está aquém do necessário para responder simultaneamente aos desafios climáticos, socioeconómicos e de competitividade das empresas do país”, num contexto em que o aumento da procura elétrica exige energia limpa “competitiva, previsível e disponível”. Segundo António Guterres, “devemos triplicar a capacidade global de energias renováveis ​​até 2030” e para isso é preciso remover barreiras, reduzir custos e ligar a energia limpa às pessoas e à indústria “com escala, velocidade e solidariedade”. Reguladores, empresas de serviços públicos, indústria e setor financeiro têm responsabilidades específicas, em particular no licenciamento mais ágil. “Mais importante ainda, devemos garantir que esta transição seja justa”, protegendo trabalhadores e comunidades e criando oportunidades à medida que os sistemas energéticos evoluem. O apelo das Nações Unidas surge num momento em que a Europa procura reforçar a sua segurança energética através do aumento do peso das renováveis. Segundo avança hoje a Reuters, vários países europeus vão assinar em Hamburgo um pacto para desenvolver 100 gigawatts de energia eólica offshore, parte de um plano com o objetivo de alcançar 300 GW até 2050 no Mar do Norte. O acordo junta Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos e Noruega. Embora em 2025 Portugal tenha visto uma redução ligeira das renováveis, a Agência Internacional de Energia considera o país um dos dez do mundo com maior peso das renováveis ​​na produção elétrica. De acordo com o relatório Renováveis ​​2025, “nos próximos cinco anos, países como Portugal e o Chile deverão atingir o patamar de 90% de renováveis ​​no seu mix de eletricidade”. “Um futuro de energias limpas está ao nosso alcance”, acredita António Guterres, que refere, porém, que o desafio é levar a revolução das renováveis ​​“a todos os cantos do mundo”.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts