
Num comunicado enviado aos associados, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) refere que a iniciativa envolveu sindicatos de tripulantes de cabine e de pilotos, bem como comissões de trabalhadores de diferentes países da rede easyJet, que decidiram atuar de forma coordenada a nível europeu.
Na carta dirigida ao Conselho de Administração da companhia aérea, as estruturas representativas afirmam que “em todos os países e bases, as tripulações enfrentam as mesmas falhas estruturais”, apontando para “níveis crescentes de fadiga, exaustão emocional, ausências relacionadas com o stress e baixas de longa duração”.
Segundo os subscritores, esta situação “alimenta mais perturbações operacionais e mantém a empresa num estado constante de ‘apagar fogos’, o que, por sua vez, coloca ainda mais pressão sobre as tripulações restantes”, criando “um ciclo vicioso que não é sustentável nem compatível com um ambiente de trabalho saudável e seguro”.
A carta refere ainda que a instabilidade crónica das escalas, as deslocações repetidas para fora da base e as alterações de última hora estão a “retirar previsibilidade à organização da vida profissional e familiar das tripulações”, reduzindo as oportunidades de recuperação e afetando a moral em toda a rede.
Os sindicatos manifestam igualmente preocupação com as “implicações financeiras e éticas substanciais do atual modelo operacional”, referindo que a empresa “continua a incorrer em custos muito elevados associados à gestão de disrupções, logística de última hora e mobilização de tripulações em regime de emergência”.
Na carta é também referido que, “em alguns casos de greves legalmente convocadas em determinados países, tripulações de outras bases foram utilizadas para operar voos afetados pela paralisação”, mesmo quando essas tripulações “não estão realisticamente em condições de exercer o mesmo direito à greve”, uma prática que “gera custos adicionais e levanta sérias preocupações éticas e de relações laborais”, podendo contribuir para divisões internas entre trabalhadores.
Para as estruturas representativas, é legítimo questionar se “os recursos significativos atualmente despendidos na gestão de disrupções não estariam melhor aplicados em níveis adequados de pessoal, planeamento realista, estabilidade das escalas e medidas efetivas de bem-estar”, defendendo uma abordagem que permita “prevenir a disrupção na origem em vez de pagar continuamente pelas suas consequências”.
Na carta, os sindicatos e comissões de trabalhadores apelam ainda à empresa para que reconheça que “o bem-estar, a dignidade e a vida privada dos trabalhadores estão entre os ativos mais valiosos da empresa” e solicitam “ação urgente e concreta para restaurar a estabilidade e reconstruir a confiança”.
Entre as medidas defendidas estão a reposição de “uma estabilidade e previsibilidade reais das escalas”, a redução de alterações de última hora, o reforço do planeamento e dos níveis de pessoal e o estabelecimento de “um diálogo social aberto, estruturado e genuíno em todas as bases”.
Segundo o SNPVAC, a easyJet foi formalmente informada destas preocupações para que os temas possam ser discutidos a nível europeu, em paralelo com os processos de diálogo social nacionais.
A iniciativa conta com a subscrição de 17 sindicatos e comissões de trabalhadores de países como Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Suíça.
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