O Claude Code, chatbot de Inteligência Artificial (IA) da Anthropic, deixou de ser uma ferramenta restrita a profissionais da tecnologia e passou a popularizar-se entre indivíduos sem formação técnica.
De início, o Claude ganhou força entre engenheiros de software, executivos e investidores da tecnologia. A Anthropic canalizava o desenvolvimento do produto para programação e utilização corporativa, com foco em empresas que buscavam automatizar fluxos de trabalho e aumentar a produtividade.
O chatbot já era amplamente conhecido e bem avaliado nesse nicho, tendo o seu desempenho inclusive sido frequentemente comparado ao de programadores juniores. Contudo, o lançamento do modelo mais recente, o Opus 4.5, surpreendeu os utilizadores, que o encaram como um salto significativo em relação às versões anteriores.
O entusiasmo, porém, ultrapassou a comunidade técnica. Utilizadores sem qualquer especialização na área passaram a relatar, nas redes sociais, a criação dos seus primeiros programas, bem como a automatização de tarefas digitais, mesmo sem qualquer familiaridade prévia com a tecnologia. Há ainda quem recorra ao chatbot para outros fins, como a análise de dados e a elaboração de relatórios financeiros.
Impulsionado por essa onda de popularidade, o público total do site duplicou mais em Dezembro. O número de visitantes únicos diários em computadores registou um aumento de 12% ao longo do ano, segundo dados das empresas Similarweb e Sensor Tower.
Segundo a revista Exame, especialistas observam com admiração o “salto qualitativo” alcançado pela Anthropic com os seus modelos mais recentes. No entanto, há preocupação com o impacto da ferramenta sobre o trabalho de desenvolvedores, uma vez que o sistema está cada vez melhor em replicar habilidades construídas ao longo de toda uma carreira.
O avanço do Claude entre utilizadores comuns ocorre num mercado de IA cada vez mais competitivo. A principal diferença para outras ferramentas, como as da OpenAI e da Google, está justamente na sua capacidade de planear, executar e ajustar tarefas completas no ambiente digital, além de manter o contexto em processos mais longos. Tudo isso de forma autónoma, ou seja, sem a necessidade de o utilizador ajustar o processo sempre que achar necessário.
A empresa também adopta o conceito de “Inteligência Artificial ética e constitucional”, com princípios voltados para a previsibilidade, controlo e protecção de dados. Dessa forma, posiciona-se como uma alternativa às plataformas focadas na produção de conteúdo sem uma regulamentação sólida.
Para reforçar os seus diferenciais, o Claude lançou, na semana passada, o Claude for Healthcare, recurso destinado para a organização de informações e redução da burocracia no sector da saúde. O lançamento ocorreu poucos dias após a chegada do ChatGPT Health, da OpenAI.
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