A dívida da transportadora Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) aumentou 0,5% no terceiro trimestre de 2025, totalizando 79 milhões de euros, segundo o mais recente boletim da dívida pública divulgado pelo Ministério das Finanças.
De acordo com a Lusa, o agravamento representa um acréscimo de 437,8 mil euros em relação ao trimestre anterior, resultado de novos atrasos no pagamento das prestações. No segundo trimestre, a dívida da companhia tinha registado uma redução de 2,4%.
Face à deterioração da situação financeira da empresa, o Governo aprovou, a 2 de Setembro de 2025, uma resolução que autoriza o pagamento das prestações anuais da dívida da LAM, garantida pelo Estado junto dos bancos comerciais. A mesma resolução atribui ao Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) a responsabilidade de constituir um veículo de propósito específico destinado à gestão e liquidação desse passivo.
A nova estrutura financeira contará com a participação da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), dos Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e dos accionistas da LAM. O seu objectivo principal é assegurar financiamento para a aquisição de uma participação na companhia aérea, que se encontra em processo de reestruturação.
A LAM encerrou o exercício de 2023 com prejuízos na ordem dos 53,5 milhões de euros, obrigando o Estado a injectar 13,7 milhões de euros em prestações suplementares. Em Outubro de 2024, o Igepe emitiu uma carta conforto, reafirmando o compromisso do Estado em providenciar os recursos necessários para que a empresa cumpra as suas obrigações.
Apesar das dificuldades operacionais, as receitas de venda de serviços da LAM aumentaram 4% em 2023 face ao ano anterior, atingindo 118,7 milhões de euros. Contudo, esse crescimento não foi suficiente para travar o agravamento do desequilíbrio financeiro.
A transportadora terminou o ano com um capital próprio negativo de 265 milhões de euros, acima dos 225,8 milhões registados em 2022. Os activos correntes também ficaram abaixo dos passivos correntes, num desfasamento estimado em 251 milhões de euros.
Segundo as demonstrações financeiras mais recentes, a continuidade da empresa encontra-se em risco. O conselho de administração dirigiu aos accionistas várias exposições sobre a gravidade da situação e propôs medidas de curto e médio prazo para tentar garantir a viabilidade da companhia.
Entre os esforços para restaurar a operação, a LAM tem investido na renovação da frota. Em Dezembro de 2025, recebeu um novo Airbus A319 com capacidade para 148 passageiros. A empresa deixou de operar rotas internacionais há cerca de um ano, passando a dedicar-se exclusivamente às ligações domésticas.
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