As autoridades moçambicanas estimam em cerca de 1,3 milhão de euros o montante necessário para assegurar a reposição mínima da circulação rodoviária na província de Gaza, duramente afectada pelas cheias que se registam nos últimos dias, na sequência de chuvas intensas e descargas das barragens, incluindo de países vizinhos, segundo informou a Lusa. A estimativa foi avançada esta quinta-feira pelo delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) em Gaza, Jeremias Mazoio, que explicou tratar-se de um valor preliminar destinado a intervenções imediatas, com o objectivo de garantir a transitabilidade das vias, ainda que em condições precárias. “Estamos a falar de pouco mais de 1,3 milhão de euros para garantir que as pessoas consigam deslocar-se de um ponto para outro. Não se trata de uma solução definitiva, mas de uma reposição mínima da circulação”, afirmou Mazoio, em declarações à imprensa. Na cidade de Maputo, as estradas Nacional Número Um (N1), no sentido norte, e Nacional Número Dois (N2), no sentido sul, permanecem intransitáveis ​​devido à subida do nível das águas, um cenário que se repete em várias regiões do País. Perante a recorrência de galgamentos, as autoridades equacionam a construção de pontes em determinados troços críticos, como forma de garantir soluções duradouras. Contudo, enquanto essas infra-estruturas não são erguidas, a ANE defende a abertura de desvios provisórios para assegurar a continuidade da circulação. “Enquanto aguardamos pela construção das pontes, temos de criar alternativas para que as pessoas continuem a passar”, sublinhou o responsável, acrescentando que as estimativas preliminares para uma reabilitação definitiva da rede rodoviária em Gaza ultrapassam os 26,7 milhões de euros. O Governo havia estimado anteriormente que cerca de 40% da província de Gaza se encontrava submersa, em resultado das cheias, tendo sido igualmente reportada a destruição total de pelo menos 152 quilómetros de estradas em todo o País. De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), mais de 700 mil pessoas foram afectadas na actual época chuvosa em Moçambique, que decorre de Outubro a Abril, registando-se mais de uma centena de óbitos desde o início do período. Segundo a base de dados do INGD, entre 1 de Outubro de 2024 e esta quinta-feira, foram afectadas 717 120 pessoas, correspondentes a 152 914 famílias, com 11 433 casas parcialmente destruídas e 4987 totalmente destruídas. Estão actualmente activos 82 centros de acomodação, que acolhem 87 322 pessoas, incluindo 17 524 resgatadas de zonas inundadas. Face à evolução da situação, o Governo decretou recentemente alerta vermelho nacional, mantendo-se as autoridades em monitorização permanente dos níveis hidrológicos e do impacto das cheias sobre as infra-estruturas e as populações.advertisement

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