Um grupo composto por mais de 700 artistas e criativos – entre os quais se encontram nomes como a atriz Scarlett Johannsson, a banda REM e o argumentista/produtor Vince Gilligan – lançou uma campanha onde exige que as empresas tecnológicas parem de roubar o seu trabalho para treinar modelos de Inteligência Artificial. No site oficial da campanha intitulada “Stealing Isn’t Innovation” (Roubo Não É Inovação, em português) é exigido que as empresas tecnológicas adotem “o percurso responsável e ético” e comecem a licenciar e estabelecer parcerias para treinarem Inteligência Artificial. Os responsáveis ​​pela campanha apontam ainda que a “apropriação ilegal de propriedade intelectual” resultou num ecossistema onde existe “desinformação, ‘deepfakes’ (vídeos manipulados) e uma avalanche insípida de conteúdo de baixa qualidade”. O ator e realizador Ben Affleck marcou presença no podcast de Joe Rogan, onde teceu considerações sobre o potencial impacto da Inteligência Artificial generativa no futuro das produção cinematográficas e televisivas. Miguel Patinha Dias | 21:00 – 19/01/2026 “A comunidade criativa dos EUA é a inveja do mundo e cria emprego, crescimento económico e exportação”, pode ler-se no site da campanha. “Mas, ao invés de respeitar e proteger este ativo valioso, algumas das maiores empresas tecnológicas, muitas apoiadas por capital privado e outros financiadores, estão a usar o trabalho dos criadores americanos para construírem plataformas de Inteligência Artificial sem a autorização de acordo com a lei dos direitos de autor”. Assim, o grupo alega que está ameaçada não só “a superioridade americana em Inteligência Artificial como também a competitividade (num cenário) internacional”. É importante sublinhar que os últimos anos têm sido marcados por uma forte contestação dos meios artísticos em relação à forma como as empresas tecnológicas se apropriam do trabalho alheio para treinarem Inteligência Artificial. Scarlett Johansson contra OpenAI Uma das artistas presentes neste grupo, Scarlett Johansson, chegou mesmo a ter um ’embate’ público com a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman. O caso deu-se em 2024, quando a OpenAI disponibilizou uma série de vozes para o ChatGPT, com uma delas (de nome Sky) a ter semelhanças com a da atriz norte-americana – conhecida por ter dado voz a uma assistente digital de Inteligência Artificial no filme “Her” de 2013. A novidade foi anunciada pelo CEO do YouTube, Neal Mohan. A nova ferramenta permitirá recorrer a Inteligência Artificial para os criadores de conteúdos usarem a própria imagem em vídeos Shorts. Miguel Patinha Dias | 22:30 – 21/01/2026 Scarlett Johansson contou que a OpenAI chegou a contactá-la para saber se podia contribuir com a sua voz para o ChatGPT mas, mesmo que a atriz tenha recusado, a empresa terá decidido seguir em frente. Com a polémica instalada e com a atriz a ter contactado advogados para tratar do caso, a empresa tecnológica decidiu remover a Sky da seleção de vozes do ChatGPT. Johansson chegou mesmo a falar sobre o assunto numa entrevista com o The New York Times, notando que Sam Altman dava um bom vilão de filmes da Marvel. “Acho que dava sim – talvez com um braço robótico”, declarou Johansson na altura. Leia Também: Apple está a desenvolver novo produto focado em Inteligência Artificial

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