O Governo do Brasil apresentou, nesta terça-feira (20), a Angola, a sua proposta de investimento na produção alimentar, transferência de tecnologia e cooperação agrícola, tendo quatro grandes grupos empresariais brasileiros já identificado como áreas de actuação os cereais, noticiou a Lusa.

De acordo com o órgão, a informação foi divulgada pelo ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Favaro, no final do encontro com a equipa económica de Angola, liderada pelo ministro angolano do Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Em declarações à imprensa, Carlos Favaro afirmou que foi dado mais um passo nos acordos de cooperação no sector da agricultura entre o Brasil e Angola, para a produção de alimentos, estando prevista para Março uma deslocação ao Brasil da parte angolana para acertos técnicos finais, para o início das operações.

“Fizemos questão de trazer formalmente a proposta brasileira gerada num grupo de trabalho com produtores, empresários e o Governo brasileiro, para investimentos em Angola, transferência de tecnologia e cooperação, para que brasileiros e angolanos produzam mais nos solos que forem identificados com grande potencial”, referiu Favaro.

O ministro frisou que foi também apresentada uma proposta para financiar os investimentos, estando disponíveis o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico Social brasileiro (BNDES) e o Banco do Brasil, através da sua linha de crédito à exportação.

“Agora queremos saber como é que o Governo angolano também pode participar, para que possamos finalizar a estrutura e, então, (…) os investimentos possam começar a acontecer”, declarou o ministro, enfatizando a “determinação do Presidente Lula (da Silva)”.

“O limite de investimento é de acordo com a demanda – quanto mais procuram os produtores brasileiros e angolanos para produzir. O Governo brasileiro, através do BNDES, está disponível para fazer os investimentos necessários”, acrescentou sobre quanto estará o Executivo brasileiro disposto a investir Angola.

Carlos Favaro referiu ainda que Angola e o Brasil têm semelhanças de clima, de solo e da capacidade dos povos, o que permite trabalharem juntos.

“Acho que podemos tornar Angola num importante interveniente global rapidamente”, afirmou, referindo que quatro grandes grupos brasileiros identificaram áreas e oportunidades na produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína. “Eles vieram aqui para expressar directamente ao Governo angolano a sua vontade e desejo de investir em Angola, e de ter os angolanos a participar também nesta produção”, frisou.

O projecto, prosseguiu Favaro, inclui também a construção de infra-estruturas, como armazéns e sistemas de irrigação, previstos no programa de financiamento do BNDES.

Carlos Favaro afirmou que foi dado mais um passo nos acordos de cooperação no sector da agricultura entre o Brasil e Angola, para a produção de alimentos, estando prevista para Março uma deslocação ao Brasil da parte angolana para acertos técnicos finais, para o início das operações

“Angola já tem investido em ferrovias e rodovias, mas há necessidade de investimentos também dentro das propriedades de armazenagem de grãos e irrigação principalmente, além de equipamentos e máquinas. O Brasil tem a tecnologia desenvolvida e está disposto a financiar para que estas máquinas e equipamentos venham a instalar-se e a funcionar em Angola”, salientou.

Segundo o ministro brasileiro, foi já feita prospecção em várias áreas e cerca de 25 a 30 grupos empresariais brasileiros estão unidos e a formatar o modelo para investimento conjunto em infra-estruturas e operação em várias regiões de Angola.

Por sua vez, o secretário de Estado para as Florestas angolano, João da Cunha, disse que, numa primeira fase foram identificadas áreas de produção nas províncias do Cuanza Norte, Uíje e Malanje, para dar início ao processo, havendo também “bastante disponibilidade de terras” no Moxico Leste, Cuando, Cubango, Lunda Norte e Lunda Sul.

Pelo menos cerca de 20 mil hectares de terras estão disponíveis para arrancar o projecto, de acordo com João da Cunha, destacando haver “acções muito concretas no país”, com a presença de empresários brasileiros em contacto directo com empresas angolanas, a constituírem empresas de direito angolano.

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