
“Gente pouco recomendável – Uma história real sobre poder, ganância e idealismo perdido” é um relato, na primeira pessoa, dos sete anos em que Sarah Wynn-Williams trabalhou no Facebook – a empresa que gere aquela rede social e que atualmente se chama Meta -, uma das maiores empresas tecnológicas do mundo, na qual alcançou o cargo de diretora de Políticas Públicas Globais. Editado em Portugal pela Presença, o livro é “um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, revela a editora. Sarah Wynn-Williams descreve uma empresa obcecada pelo crescimento, marcada por ambição desmedida, cultura interna tóxica e decisões tomadas sem escrutínio, apesar do impacto global da plataforma. “Este é o livro que Mark Zuckerberg tentou silenciar, e muito provavelmente, com boas razões para isso. Com uma voz crítica, franca, mas ao mesmo tempo deliciosamente sarcástica, este livro é um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, descreve a sinopse. A tecnológica norte-americana Meta comprometeu-se a deixar que os utilizadores das redes sociais Facebook e Instagram na União Europeia escolham “anúncios menos personalizados”, passando a respeitar a Leis dos Mercados Digitais (DMA), foi hoje anunciado. Lusa | 14:58 – 08/12/2025 A Meta recorreu à American Arbitration Association (um centro de arbitragem privado) para impedir a autora de promover o livro, alegando que a empresa sofreria “danos imediatos e irreparáveis”. A arbitragem emitiu então uma decisão provisória, que determina que a autora suspenda a promoção do livro, mas não impôs qualquer restrição à editora (Pan Macmillan), que declarou defender a liberdade de expressão e o direito de a autora contar a sua história, pelo que o livro pode continuar a ser vendido e distribuído pelas livrarias. Contudo, a autora está impedida de dar entrevistas, fazer sessões de lançamento, publicitar o livro e outras ações promocionais, enquanto vigorar a decisão provisória. “Gente pouco recomendável” é descrito pelo The New York Times como “um retrato feio e detalhado de uma das empresas mais poderosas do mundo”. A obra descreve diretamente episódios envolvendo o fundador e diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, assim como a ex-diretora operacional Sheryl Sandberg e o responsável por políticas globais Joel Kaplan, retratados como líderes obcecados por estatuto e crescimento, avessos à responsabilização. No relato, Sarah Wynn-Williams descreve desde situações de assédio e abuso de poder no interior da empresa até decisões políticas controversas, incluindo o papel do Facebook na disseminação de desinformação durante as eleições norte-americanas de 2016, a propagação de discurso de ódio em Myanmar e contactos com regimes autoritários, sem esquecer projetos destinados a permitir a entrada da plataforma no mercado chinês. Antiga diplomata da Nova Zelândia, com passagens pela ONU e pela embaixada do seu país em Washington, a autora afirma ter entrado no Facebook movida por idealismo, acreditando no potencial da rede social como ferramenta de mudança política e social. Esse idealismo – escreve – foi-se perdendo à medida que a empresa se consolidava como um dos centros de poder mais influentes do século XXI. Atualmente, Sarah Wynn-Williams dedica-se a temas ligados à tecnologia e à inteligência artificial. Leia Também: Meta assina acordos de energia nuclear para apoiar centros de dados de IA
Painel