
Ásia fecha sessão com perdas. Futuros de Wall Street apontam para forte queda
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta terça-feira com perdas em praticamente toda a linha, à medida que as ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas adicionais a vários países europeus reacenderam as preocupações com uma guerra comercial. Os futuros dos índices norte-americanos seguem a ceder mais de 1%, numa primeira reação dos investidores às ameaças de Trump, já que Wall Street esteve ontem encerrado, enquanto pela Europa os futuros do Euro Stoxx 50 perdem cerca de 0,50%, seguindo a tendência de perdas registada ontem.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,11% e o Topix cedeu 0,84%. O sul-coreano Kospi – índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial – caiu 0,34%, ao passo que o índice de referência de Taiwan ganhou 0,38%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 0,37% e o Shanghai Composite deslizou 0,0085%.
À medida que o sentimento entre os investidores se vai deteriorando, a procura por uma série de ativos-refúgio disparou, levando o ouro e a prata a novos recordes.
“Os mercados parecem estar a assumir uma posição muito avessa ao risco em relação a este novo desenvolvimento nas tarifas”, disse à Bloomberg Hebe Chen, analista da Vantage Markets. “A mensagem principal é que o risco das tarifas, bem como o risco comercial, irá manter-se”, acrescentou. O impasse entre os EUA e a Europa surge num momento em que os resultados resilientes das cotadas e o investimento contínuo em inteligência artificial têm sustentado o apetite pelo risco. A direção do mercado depende agora, em parte, da resposta da União Europeia às ameaças do republicano, com o bloco a considerar tarifas sobre 93 mil milhões de euros em produtos norte-americanos.
Pela Ásia, a atenção esteve sobretudo voltada para o Japão, onde a “yield” da dívida soberana com maturidade a 40 anos subiu para 4% na terça-feira, atingindo o nível mais elevado desde 2007 – início desta série. As ações japonesas prolongaram a queda devido a novos receios em relação à política orçamental que será seguida pelo país, após a primeira-ministra Sanae Takaichi ter confirmado que as eleições antecipadas se realizarão no dia 8 de fevereiro. As tecnológicas e os fabricantes de automóveis contribuíram mais para a queda do Topix – com o SoftBank Group a perder mais de 3% e a Nissan a ceder mais de 2%, por exemplo.
Takaichi prometeu ainda reduzir o imposto sobre vendas de alimentos e bebidas, o que leva os investidores a mostrarem-se cada vez mais preocupados com a “falta de disciplina orçamental” da primeira-ministra, escreveu Andrew Jackson, da Ortus Advisors à agência de notícias financeiras. Nesta linha, o especialista refere ainda que “o impacto positivo geral para o consumidor japonês será bastante reduzido quando o iene cair vertiginosamente e os rendimentos dos títulos do governo japonês dispararem”.
Por outro lado, as expectativas de que uma redução de impostos poderá impulsionar o consumo foram um fator favorável para as cotadas do setor dos alimentos, com operadoras de supermercados como Aeon (+5,87%), Daikokutenbussan (+2,96%), entre as que tiveram melhor desempenho no Topix, à semelhança do registado na sessão de ontem.
Já pela China, os “traders” viraram a sua atenção para as ações de empresas do setor elétrico, graças à intensificação da procura global por equipamentos de energia para construir centros de dados para o desenvolvimento da inteligência artificial. As ações da empresa estatal China XD Electric dispararam mais de 8%. Na mesma medida, o Shanghai Guangdian Electric Group e a Henan Senyuan Electric subiram cerca de 10%.
Dados divulgados no domingo também deram força a estas cotadas, já que mostraram que o país exportou transformadores no valor de mais de 9 mil milhões de dólares no ano passado. O valor representa um aumento de cerca de 36% face ao registado em 2024.
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