advertisemen tA Plataforma da Sociedade Civil Moçambicana para a Protecção Social (PSCM-PS) alertou que o País vive uma crise humanitária com impactos profundos sobre as populações mais pobres e vulneráveis, num contexto de fragilidade dos sistemas de protecção social, face aos desastres causados ​​pela presente época chuvosa, que já afectou milhares de pessoas. “A província de Gaza assume-se como o principal foco da crise, com centenas de milhares de pessoas em risco de deslocação nos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, após o transbordo dos rios Limpopo e Incomáti. A situação é igualmente preocupante em Maputo, Inhambane, Manica e Sofala, onde se registam cheias extensas e danos significativos em infra-estruturas essenciais”, descreveu a entidade através de um comunicado. No documento publicado pelo jornal O País, revela-se que “famílias foram forçadas a abandonar as suas casas, encontrando-se actualmente em centros de acomodação temporária, muitos deles sem condições adequadas de dignidade, saneamento e segurança. Entre os afectados estão mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos, grupos que enfrentam riscos acrescidos de exclusão social, insegurança alimentar e perda de meios de subsistência.” Segundo a plataforma, o sector agrícola é apontado como um dos mais afectados, com a perda de mais de 3740 hectares de área cultivada, impactando 10 548 agricultores. “Esta situação agrava a insegurança alimentar e nutricional, num contexto já fragilizado pelos efeitos acumulados de secas severas associadas ao fenómeno El Niño nos últimos anos.” “A actual crise evidencia de forma crua a intersecção entre pobreza e vulnerabilidade climática. Neste sentido, há que se proceder com a activação imediata e o reforço dos programas de protecção social, com destaque para o Programa Apoio Social Directo Pós-Emergência (PASD-PE) e o Programa Subsídio Social Básico (PSSB), incluindo o pagamento extraordinário de subsídios em atraso, como forma de garantir estabilidade mínima às famílias afectadas”, enfatizou. A organização apelou ainda ao Governo para mobilizar recursos financeiros adicionais, reforçar a articulação com parceiros de cooperação e assegurar uma resposta integrada, que combine assistência humanitária imediata com mecanismos de protecção social de médio e longo prazo.” A presente época chuvosa e ciclónica constitui um alerta inequívoco para a necessidade de se fortalecer a resiliência nacional e proteger os cidadãos mais vulneráveis”, concluiu. Dados preliminares do Governo indicam que 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da presente época das chuvas em Moçambique, registando-se ainda a destruição total de 1160 casas e mais de quatro mil parcialmente inundadas. Em Outubro, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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