a d v e r t i s e m e n tA África do Sul lançou, na sexta-feira (16), uma investigação sobre a participação de navios de guerra iranianos em exercícios navais ao largo da sua costa, após relatos de que os organizadores terão ignorado instruções do Presidente para que os navios apenas assumissem estatuto de observadores, de modo a não agravar as tensões com os Estados Unidos da América (EUA).
A investigação, anunciada pelo Ministério da Defesa, surgiu um dia depois de os EUA terem criticado a decisão da África do Sul de acolher navios iranianos ao largo da Cidade do Cabo, na semana passada, para exercícios conjuntos que também incluíram as marinhas da China, da Rússia e dos Emirados Árabes Unidos.
Num comunicado publicado na rede social X, a embaixada dos Estados Unidos no território sul-africano, afirmou ser “inconcebível que a África do Sul tenha acolhido forças de segurança iranianas enquanto estas disparavam, prendiam e torturavam cidadãos iranianos envolvidos em actividades políticas pacíficas”, uma referência aos protestos em curso no Irão e à violenta repressão das autoridades, que já terá provocado mais de 2600 mortos, segundo a agência norte-americana Human Rights Activists News Agency.
A embaixada norte-americana disse ter registado com preocupação relatos da comunicação social segundo os quais a instrução do Presidente Cyril Ramaphosa, de que o Irão deveria ter apenas estatuto de observador nos exercícios, poderá ter sido desrespeitada pelo Ministério da Defesa ou por responsáveis militares.
A Administração Trump tem sido crítica em relação aos laços diplomáticos da África do Sul com o Irão, apontando-os como exemplo do que considera ser uma postura anti-americana da política externa sul-africana. A maior potência africana afirma seguir uma política externa neutra e não-alinhada, mantendo abertura para o diálogo diplomático com o Irão.
Não é claro quais foram exactamente as ordens dadas por Ramaphosa relativamente aos exercícios. O Presidente não comentou o assunto, e o seu porta-voz não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Associated Press.
O Ministério da Defesa afirmou, no seu comunicado, que a ministra da Defesa, Angie Motshekga, assegurou que as instruções de Ramaphosa foram “claramente comunicadas a todas as partes envolvidas”, sem especificar quais eram. A investigação deverá apurar se as instruções do chefe de Estado foram “deturpadas e/ou ignoradas”, acrescentou a instituição.
As Forças Armadas sul-africanas indicaram que o Irão enviou dois navios de guerra para participar nos exercícios, embora a Associated Press tenha observado um terceiro navio iraniano fundeado no porto de Simon’s Town, perto da Cidade do Cabo, ao lado de navios chineses e russos.
As relações da África do Sul com os Estados Unidos da América deterioraram-se significativamente desde o regresso de Donald Trump ao poder, com a sua Administração a fazer também alegações infundadas de que o Governo sul-africano estaria a permitir a perseguição violenta da minoria branca afrikaner com o objectivo de confiscar as suas terras
Os exercícios, que terminariam na sexta-feira, foram liderados pela China e organizados no âmbito do bloco BRICS de países em desenvolvimento. A África do Sul, a China e a Rússia são membros de longa data do bloco, enquanto o Irão aderiu em 2024, sendo estes exercícios navais os primeiros realizados pelo país.
O grupo BRICS em expansão foi criado como um contrapeso àquilo que é percepcionado como a dominância dos EUA e do Ocidente na economia global e nas instituições internacionais, sendo frequentemente utilizado pela China e pela Rússia como fórum para criticar o Ocidente.
As relações da África do Sul com os Estados Unidos da América deterioraram-se significativamente desde o regresso de Donald Trump ao poder, com a sua Administração a fazer também alegações infundadas de que o Governo sul-africano estaria a permitir a perseguição violenta da minoria branca afrikaner com o objectivo de confiscar as suas terras.Fonte: ZimLive
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