
Ásia divide-se entre ganhos e perdas. Tarifas de Trump a países europeus pressionam mercados
Os principais índices asiáticos encerraram a primeira sessão da semana em terreno dividido, com a ameaça de Donald Trump de impor novas tarifas a vários países europeus a pressionar o sentimento dos investidores, enquanto pelo Japão a incerteza relacionada com as eleições legislativas antecipadas parece ter reduzido o apetite pelo risco. Já os futuros europeus apontam para uma abertura em baixa, com o Euro Stoxx 50 a derrapar mais de 1% a esta hora.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 0,65% e o Topix cedeu 0,062%. O sul-coreano Kospi – índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial – avançou 1,32%, ao passo que o índice de referência de Taiwan ganhou 0,73%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,08% e o Shanghai Composite avançou 0,29%.
A ameaça tarifária contra outros membros da NATO traz uma nova vaga de incerteza ao panorama do comércio internacional, segundo analistas citados pela imprensa internacional.
O Presidente norte-americano anunciou no sábado uma tarifa de 10% a partir de 1 de fevereiro sobre produtos de países europeus que se uniram para apoiar a Gronelândia depois das ameaças feitas pela Administração Trump de querer assumir o controlo do território semi-autónomo dinamarquês. O republicano disse ainda que estas tarifas aumentariam para 25% em junho, a menos que “seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Gronelândia (pelos EUA)”. As tarifas serão aplicadas à Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. O rumo que os mercados tomarão a partir de agora dependerá, em grande parte, da forma como a Europa decidir calibrar a sua resposta.
A ameaça de Trump já suscitou repreensões por parte de líderes europeus, que estão agora prestes a suspender a aprovação do acordo comercial celebrado no ano passado entre o bloco e a maior economia mundial. O Presidente francês, Emmanuel Macron, poderá solicitar a ativação do instrumento anticoerção da UE — a ferramenta de retaliação mais poderosa do bloco.
Nesta linha, “o conflito entre os EUA e a Europa sobre a Gronelândia, juntamente com as preocupações sobre a independência da Reserva Federal, estão a levar a um clima de cautela no mercado japonês”, referiu Yutaka Miura, da Mizuho, à Bloomberg.
Além disso, a inquietação em torno da política orçamental japonesa antes do início do período eleitoral também está a pesar no sentimento dos investidores. A primeira-ministra Sanae Takaichi deverá apresentar os seus planos para as eleições legislativas antecipadas numa conferência de imprensa nesta segunda-feira. Tanto o seu bloco governamental como os partidos da oposição estão a ponderar reduzir o imposto sobre as vendas de alimentos antes das eleições, de acordo com relatos da imprensa local. Assim, apesar de as ameaças de Trump terem pressionado setores com maior exposição internacional, como o dos automóveis e tecnologia – a Toyota caiu 1,3% e a Nissan mais de 2,50%, por exemplo -, as expectativas de que uma redução de impostos poderá impulsionar o consumo foram um fator favorável para as cotadas do setor dos alimentos, com operadoras de supermercados como Aeon (+6,66%), Daikokutenbussan (+6,30%), entre as que tiveram melhor desempenho no Topix.
Entretanto, o PIB da China cresceu 5%, de acordo com dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas na segunda-feira, confirmando uma estimativa dada pelo presidente Xi Jinping num discurso na véspera de Ano Novo. Ainda assim, os índices do país flutuaram mesmo depois de o crescimento económico do país ter atingido a meta do Governo.
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