O Banco de Fomento Angola (BFA) estima que o desempenho orçamental este ano seja mais favorável do que o previsto, alertando, contudo, para um défice de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 2,8% projectados pelo Executivo angolano. “O Governo prevê um saldo global negativo de cerca de 2,8% do PIB, o que reflecte que, no conjunto, as despesas totais deverão superar as receitas, mantendo-se a necessidade de recorrer a financiamento adicional. Em contrapartida, as nossas estimativas apontam para um défice mais moderado, próximo de 1,7% do PIB, o que indica uma menor pressão sobre as contas públicas e uma trajectória de endividamento potencialmente mais controlada”, avança um relatório do banco citado pela Lusa. No documento, recorda-se que o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026 foi elaborado com base num preço médio do barril de petróleo em torno de 52 euros, enquanto o BFA assume como referência 56 euros, acrescentando que este enquadramento deverá traduzir-se num “cenário fiscal mais favorável, com pressão ligeiramente menor em necessidades de financiamento e maior margem para a consolidação da dívida pública”. Enquanto o OGE assume um crescimento do Produto Interno Bruto de 4,2% e uma inflação de 13,7%, o banco estima um crescimento em torno de 3,6% e uma inflação média de 12,6%. “O Governo antecipa um excedente próximo de 0,4% do PIB, mas o BFA aponta para um saldo primário em torno de 1,4%, justificando esta diferença com receitas petrolíferas superiores às previstas no OGE, beneficiando de um preço médio do petróleo mais elevado”, destaca o relatório. Para 2026, o Executivo prevê receitas correntes de cerca de 17,1 mil milhões de euros e despesas correntes de 15,6 mil milhões de euros, enquanto as estimativas do BFA apontam para receitas correntes ligeiramente acima de 17,3 mil milhões de euros e uma execução de despesa corrente inferior em torno dos 14,4 mil milhões de euros. Em termos específicos, o BFA estima receitas petrolíferas de 7,7 mil milhões de euros, acima dos 7,1 mil milhões de euros esperados, mas projecta receitas não petrolíferas abaixo do previsto, de 9,6 mil milhões de euros, contra 10,1 mil milhões de euros.

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