No primeiro mandato, Donald Trump referiu a importância estratégica da Gronelândia como “um grande negócio imobiliário”. Agora, o Presidente dos Estados Unidos justifica-se com razões de segurança nacional para anexar a ilha, seja pela força seja com dinheiro.


As intenções atuais de Trump não são novidade. Os Estados Unidos tentaram comprar a Gronelândia para usar o território como primeira linha de defesa várias vezes, incluindo depois da Segunda guerra Mundial, quando o Presidente Truman ofereceu 100 milhões de dólares à Dinamarca.


A Gronelândia, localizada no Ártico e Atlântico Norte, é a maior ilha do planeta e tem uma grande importância geoestratégica, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa. Os Estados Unidos sabem disso, mas também a China e a Rússia.


No entanto,  é aqui que o argumento de segurança nacional de Trump fraqueja. A Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semi-autónomo aliado. Ou seja, a qualquer momento os Estados Unidos podem reforçar a presença militar ou instalar novas bases. Aliás, existe um tratado com a Dinamarca que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem.


A Gronelândia não é importante apenas pela questão geográfica. O degelo de grandes glaciares tem tornado mais fácil o acesso a reservas de combustíveis fósseis e outras matérias-primas que existem no subsolo e ao largo da costa, como petróleo, gás natural, carvão e urânio.


Outro fator que justifica o interesse dos Estados Unidos é a descoberta de minerais de terras raras que podem tornar a Gronelândia no segundo maior produtor mundial, a seguir à China.


Os minerais de terras raras são sobretudo usados para turbinas eólicas, baterias recarregáveis, veículos elétricos, ecrãs LCD, e telemóveis, mas também podem ser usados no setor da defesa, em sistemas de orientação, radares ou lasers. Atualmente a China domina o mercado ao deter quase 70% das reservas mundiais, mas a Gronelândia pode abanar o tabuleiro das matérias-primas.


Perante a pressão da administração Trump, a Dinamarca e os Estados Unidos chegaram a acordo para criação de um grupo de trabalho sobre Gronelândia. Entretanto, Copenhaga enviou reforço militar para o território. França, Alemanha, Suécia e Noruega anunciaram também o envio de tropas para exercícios militares.


Além disso, vários líderes europeus, incluindo o primeiro-ministro Luís Montenegro, defenderam a autonomia da Gronelândia e a União Europeia (UE) já avisou que a ilha não é “um pedaço de terra que esteja à venda”.


A primeira-ministra dinamarquesa já alertou também que qualquer tentativa de anexação pela força significaria “o fim imediato da NATO”.

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