Em comunicado, a presidente executiva da UIC, Laura Houlgatte, afirmou que, caso se concretize o negócio anunciado hoje, representará “um risco a dobrar”. “Se um estúdio desaparece, isso inevitavelmente significa que os cinemas vão ter menos filmes para exibir às suas audiências, o que leva a uma redução de receita, encerramentos de cinemas e perdas de postos de trabalho na indústria”, afirmou aquela responsável, acrescentando que, “de muitas formas, isto é pior do que a compra de um estúdio por outro”. Houlgatte lembrou que, “quer nas suas palavras quer nas suas ações, a Netflix tem repetido de forma clara que não acredita nos cinemas e no seu modelo de negócio”. A Netflix anunciou oficialmente que vai avançar para a compra da Warner Bros, a empresa responsável pelo serviço de streaming HBO Max. O negócio está avaliado em 82,7 mil milhões de dólares – cerca de 71 mil milhões de euros. Miguel Patinha Dias | 12:25 – 05/12/2025 Citado no mesmo texto, o presidente do conselho de administração da UIC, Phil Clapp, apelou aos reguladores para que avaliem a compra à luz dos potenciais riscos que o negócio representa e as eventuais consequências para o setor da exibição de cinema, alertando para um “impacto profundamente danoso para a paisagem cultural da Europa”. “A UIC vai fazer tudo ao seu alcance para tornar esses potenciais impactos — e a sua forte oposição ao negócio — claros para todas as autoridades na Europa e além dela”, realçou o presidente da UIC, que tem entre os seus membros a NOS Cinemas e o grupo AMC. A Netflix vai comprar o estúdio de cinema e televisão Warner Bros. por cerca de 83 mil milhões de dólares (71,27 mil milhões de euros), incluindo a plataforma de ‘streaming’ HBO Max, anunciaram hoje as duas empresas em comunicado conjunto. Os dois serviços de streaming podem vir a ser oferecidos num único pacote cujo preço seria mais baixo caso fossem subscritos em separado. Duas fontes da Reuters afirmam que este pacote pode vir a ser lançado caso a Netflix compre a Warner Bros Discovery. Miguel Patinha Dias | 15:11 – 04/12/2025 A publicação especializada Variety classificou o negócio como um momento que vai “refazer de forma dramática o negócio do entretenimento”. Já o Financial Times (FT) escreveu que a compra vai transformar a Netflix “no ator dominante de Hollywood, ao acrescentar uma atrativa biblioteca de conteúdo que inclui as franquias Harry Potter e Batman, o negócio de ‘streaming’ da Warner Bros. Discovery e a programação ‘premium’ da HBO”. Nesse mesmo comunicado, a Netflix indicou que pretende manter as operações atuais da Warner Bros. e “construir sobre as suas forças”, incluindo os lançamentos dos filmes em sala. Segundo a Variety, a Warner Bros. tem em curso acordos para lançar filmes nos cinemas até 2029. O FT lembra que o acordo tem de ser aprovado pelos acionistas da Warner Bros. Discovery e pelos reguladores, havendo uma expectativa de que esteja fechado dentro de 12 a 18 meses. Leia Também: Falámos com Daniel Rezende e Rodrigo Santoro sobre “Filho de Mil Homens”

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