a d v e r t i s e m e n tO Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que o Governo vai esperar por melhorias das condições climáticas para salvar populações sitiadas devido às chuvas, defendendo que o País terá de gerir melhor os eventos climáticos para evitar mais mortes.
“Aguardamos pela melhoria das condições climáticas que possam permitir a circulação rodoviária. Mas enquanto isso, temos feito tudo para salvar as populações que se encontram sitiadas e providenciado assistência alimentar”, avançou o dirigente, citado pela Lusa.
O chefe do Estado falava nesta sexta-feira, 16 de Janeiro, na abertura da sessão extraordinária do Conselho de Ministros para avaliar a situação da actual época chuvosa, tendo esclarecido que as condições de navegabilidade impedem o uso de meios aéreos para salvar vidas.
O governante lembrou que o País é atravessado por muitas bacias hidrográficas, colocando-o numa situação de vulnerabilidade face aos eventos extremos, pedindo com isso acções concretas, sobretudo dos municípios, para travar construções que obstruem a passagem natural das águas.
“As mudanças climáticas são um fenómeno global e mesmo as Nações Unidas têm feito referência a isso. O mundo está a aquecer cada vez mais e, como resultado, as chuvas também têm sido mais violentas a cada ano que passa”, recordou.
Estima-se que pelo menos 400 mil pessoas estejam em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência. “Há um risco iminente da junção dos rios Incomáti e Limpopo — cenário igual ao registado nas cheias de 2000 — à medida que transbordam, o que poderá aumentar o número de afectados para cerca de meio milhão de pessoas.”
Esta semana, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), emitiu um “alerta laranja” face ao risco moderado e alto de ocorrência de cheias, olhando para as previsões meteorológicas e para a situação hidrológica que prevalece em Moçambique.
Recentemente, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) fez saber que morreram 85 pessoas, 70 ficaram feridas e outras 105,1 mil foram afectadas pelas mudanças climáticas durante a época chuvosa 2025-26.
Em Outubro, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.a d v e r t i s e m e n t
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