O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (SINTIME) manifestou nesta sexta-feira, 16 de Janeiro, “profunda preocupação” relativamente à suspensão da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, alertando para graves consequências sociais e económicas. “Entendemos que a Mozal é crucial para o desenvolvimento económico de Moçambique, como uma das principais indústrias do País, sendo um pilar das exportações com cerca de 30% dos produtos exportados e uma grande empregadora. Estamos a falar de milhares de postos de trabalho directos e indirectos”, explicou o secretário-geral do SINTIME, Américo Macamo. Citado pela Lusa, o responsável explicou que o sindicato abrange cerca de 22 600 profissionais, e que a Mozal é uma alavanca vital para a economia e a indústria do País. “A independência económica é uma meta transversal e contínua que resulta da transformação da estrutura do País, através da produção interna, gerando emprego e redução da pobreza.” “O sindicato apela e propõe, assim, que as negociações de recursos sejam reforçadas através da inclusão, de todos os accionistas da Mozal, nomeadamente a South32, o Governo de Moçambique, a IDC da África do Sul e a Mitsubishi Corporation, além da Confederação das Associações Económicas, como parte activa e legítima destas discussões, incluindo o sindicato, com vista à promoção e defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos trabalhadores”, concluiu. No ano passado, o Governo assegurou estar a acompanhar de perto a situação da Mozal, após o anúncio da suspensão das actividades, devido à inexistência de um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, existe uma equipa técnica a trabalhar com a empresa e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas. “Há uma equipa que está a fazer o seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, afirmou Inocêncio Impissa. As declarações surgiram na sequência de um comunicado divulgado pela South32, empresa australiana que detém a Mozal, no qual é anunciada a colocação da fundição de alumínio em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de Março de 2026, caso não seja assegurado um novo contrato de fornecimento de energia. “Não foi garantido um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica e, por isso, a Mozal será colocada em ‘care and maintenance’ por volta de 15 de Março de 2026”, referiu a empresa no documento enviado à comunicação social, acrescentando que “as matérias-primas necessárias para sustentar as operações para além de Março de 2026 não foram adquiridas.” De acordo com a South32, continuam em curso negociações com o Governo, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e com a sul-africana Eskom, com vista a garantir um fornecimento de energia suficiente e a preços competitivos após o término do actual contrato. Sem adiantar detalhes sobre o estágio das negociações, Inocêncio Impissa esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efectivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está a acompanhar as questões substantivas com a Mozal”, explicou.
Painel