O ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, propôs, nesta quinta-feira (15), ao seu homólogo angolano, alargar a cooperação militar para o domínio espacial, num encontro que serviu para fazer um balanço do actual programa bilateral, com uma execução de 70%, noticiou a Lusa. “Eu tive a oportunidade de entregar ao senhor ministro da Defesa (de Angola, João Ernesto dos Santos) aquilo que é uma missiva do Governo português para aprofundar com o Governo angolano a colaboração também na área do espaço”, afirmou Nuno Melo à margem da 21.ª Sessão da Comissão Mista de Defesa Portugal-Angola, que hoje decorreu em Oeiras (Lisboa). Até agora centrada nos domínios “terra, mar e ar”, a parceria entre os dois países deverá integrar a componente aeroespacial, disse o ministro português, salientando que Portugal está a investir fortemente nesta área e exemplificando com o programa “Constelação do Atlântico”, que visa a produção de satélites no país. “Nós queremos alargar a colaboração no domínio do espaço”, reforçou o ministro português, salientando a importância estratégica deste sector para ambos os Estados. Para o ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Angola, general João Ernesto dos Santos, a avaliação do programa “é bastante positiva” devido à sua implementação, que atingiu 70% das acções programadas entre 2022 e 2026. Segundo João Ernesto dos Santos, estão em curso os trabalhos que visam implementar a totalidade das acções do Programa-Quadro de Cooperação no Domínio da Defesa entre Angola e Portugal 2022-26, bem como a perspectivação de novas acções para o período 2027-30. “A avaliação que nós fazemos (do programa) é bastante positiva porque estamos a trabalhar em estreita colaboração, para o fortalecimento permanente das relações existentes entre os Ministérios da Defesa, Portugal e Angola, incluindo as respectivas Forças Armadas”, salientou o ministro angolano. Além do sector aeroespacial, a reunião abordou áreas críticas como a saúde militar, indústrias de defesa, formação e ensino de quadros angolanos em Portugal. Questionado sobre as compensações aos antigos combatentes africanos que serviram Portugal na Guerra Colonial, Nuno Melo frisou que foram dedicadas umas palavras durante a reunião “a essa memória histórica e ao esforço dos combatentes portugueses e africanos”, e que agradeceu ao ministro da Defesa angolano “toda a contribuição e empenho de Angola naquilo que teve que ver com a transladação de militares.” “Temos também muita atenção àquela que é a memória histórica relacionada com o tempo em que muitos militares foram mobilizados, de Portugal e dos territórios ultramarinos”, destacou o governante. O ministro português recordou ainda o investimento de mais de 5,8 mil milhões de euros do Programa SAFE para o reequipamento das Forças Armadas portuguesas e para as medidas de apoio social e habitação para os militares, implementadas ao longos dos últimos 19 meses.
Painel