Este é um dos destaques do Livro Branco sobre a Inteligência Artificial no Jornalismo, que é hoje apresentado e é financiando pelo European Media and Information, sob a gestão da Fundação Calouste Gulbenkian e coordenado pela Nova FCSH. As barreiras identificadas “são sobretudo organizacionais e relacionadas com capacitação, com 67,5% dos/as profissionais a reportarem ausência de formação e mais de 80% a indicarem não possuir formação especializada em IA, apesar da procura latente”, lê-se no documento. “Estas fragilidades são especialmente visíveis nos meios locais e regionais”, acrescenta o Livro Branco, que faz 10 recomendações. O documento aponta que, “paralelamente, proliferam usos casuísticos e ‘invisíveis’ de IA, frequentemente sem protocolos que assegurem a necessária monitorização humana (human-in-the-loop)”. Refere-se ainda que, em vários contextos, o denominado “paradoxo da eficiência” torna-se latente, “onde os ganhos de rapidez e automatização não são acompanhados por métricas claras ou reinvestimento editorial que permitam consolidar melhorias efetivas”. O Livro Branco sobre a Inteligência Artificial no Jornalismo faz 10 recomendações estratégicas, entre as quais o reforço do Serviço Público dos Media na literacia mediática e a criação de um Observatório Nacional sobre IA e os media. Lusa | 07:07 – 15/12/2025 “Identificam-se ainda necessidades setoriais específicas de capacitação, por exemplo, na televisão, a prioridade recai sobre competências forenses para a análise de artefactos de vídeo e voz; na rádio, sobre mecanismos de deteção de clonagem de voz; e, na imprensa e no online, sobre práticas de verificação multimodal e rotulagem consistente de conteúdos assistidos ou gerados por IA”, acrescenta o Livro Branco. No que respeita à independência editorial e plataformas tecnológicas, o Livro Branco refere que a “plataformização do ecossistema noticioso configura um regime de intermediação algorítmica que desloca funções críticas de distribuição e monetização para infraestruturas externas, reconfigurando poderes editoriais e condicionando a autonomia jornalística”. Em Portugal, “a dependência de soluções comerciais é particularmente elevada, sendo que neste cenário apenas 6,8% dos/as profissionais referem ter controlo direto sobre algoritmos ou modelos de IA e só 26,4% reconhecem possuir capacidade técnica para avaliar criticamente estas soluções”. As assimetrias são maiores nos media locais e regionais, “com menor probabilidade de desenvolvimento de experiências-piloto internas e de estabelecimento de parcerias”, prossegue, adiantando que surgem “estratégias defensivas para preservar identidade editorial, incluindo não subordinar a agenda a métricas definidas pelas plataformas e autonomizar arquivos próprios”. Quanto aos Direitos de Autor e Direitos Conexos (CDADC), o Livro Branco salienta tensões em quatro pontos: autoria e originalidade; treino de modelos com conteúdos protegidos; fronteiras entre obra e prestação (voz/imagem); e exigências de transparência e proveniência. Em Portugal, pouco mais de metade (52,2%) dos jornalistas “indicam que não existe autorização para uso de conteúdos jornalísticos no treino de modelos e 19% não sabem ou não respondem, coexistindo com apenas 6,8% que declaram propriedade ou controlo direto sobre algoritmos ou modelos de IA utilizados nas suas operações jornalísticas”. A larga maioria dos jornalistas em Portugal nunca tiveram formação em inteligência artificial, revela o Livro Branco sobre Inteligência Artificial no Jornalismo, o primeiro estudo de âmbito nacional sobre esta matéria, que é hoje apresentado em Lisboa. Lusa | 06:02 – 15/12/2025 Os profissionais de rádio e de televisão “salientam riscos nos Direitos Conexos de voz e imagem (clonagem, recriação), defendendo cláusulas contratuais específicas e rotulagem consistente” e registam-se opções de “não ceder dados para treino, a par de apelos a programas próprios e cooperação intermedia”. Sobre regulação e políticas públicas, “predomina prudência face a riscos editoriais, acompanhada de expectativa de orientação institucional” e “valorizam-se recomendações de transparência, explicabilidade e cartas de princípios, mas reconhece-se que, sem capacidade interna mínima – governação, literacia aplicada e processos de validação -, a regulação é percebida como uma exigência difícil de cumprir”. A mediação algorítmica na distribuição “é entendida como fator que aumenta a incerteza e desloca custos de conformidade para as redações, reforçando a necessidade de políticas acompanhadas de instrumentos operacionais que permitam traduzir princípios em rotinas verificáveis”, refere o Livro Branco. Leia Também: Estudo sobre IA no Jornalismo é apresentado esta segunda-feira

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