a d v e r t i s e m e n tCerca de 1,2 milhão de pessoas de 47 distritos, sobretudo na região Norte, enfrentam uma situação de insegurança alimentar aguda, no período pós-colheitas, necessitando de “intervenção urgente” para reduzir o défice no consumo alimentar e proteger os meios de subsistência.

A informação consta da avaliação de “Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês)”, que envolve as autoridades moçambicanas e parceiros nacionais e internacionais, incluindo agências das Nações Unidas, e na qual foi analisada a situação pós-colheitas de 2025 em distritos considerados como os mais produtivos.

A IPC é um sistema padronizado globalmente que categoriza a gravidade da insegurança alimentar e desnutrição em cinco fases, desde a “Segurança Alimentar (Fase 1)” até “Fome/Catástrofe (Fase 5)”, utilizando dados de nutrição, meios de subsistência e consumo alimentar para orientar respostas humanitárias e políticas eficazes.

De acordo com dados citados pela Lusa, do total de necessitados, 125,7 mil pessoas estão em “Situação de Emergência (Fase 4 da IPC)” e os restantes 1,07 milhão encontram-se em “Situação de Crise (Fase 3 de IPC)”. Por outro lado, há ainda 2,58 milhões de pessoas em “Situação de Stress Alimentar (Fase 2 da IPC)”.

Entretanto, para o período de Abril a Setembro de 2026, o estudo aponta que o número de pessoas, nos distritos analisados e que necessitam de intervenção urgente, poderá baixar para cerca de 529 mil, envolvendo a Fase 3. “Esta melhoria deve-se às perspectivas de precipitação média e acima da média que poderá permitir maior disponibilidade de alimentos nos agregados familiares e redução dos preços dos alimentos nos mercados”, reconhece.

Em Setembro passado, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) advertiu para o aumento de casos de insegurança alimentar na África Austral face à desflorestação e degradação dos solos devido às secas na região.

“Mais de 45% das terras na África Austral são as mais afectadas, colocando em causa a produtividade agrícola e pecuária, minando os meios de subsistência, como a agricultura que gera empregos para mais de 60% da população. Nesta sub-região, a degradação do solo não é apenas uma questão ambiental. É uma crise de segurança alimentar e um factor que constitui barreira de desenvolvimento”, disse Patrice Talla, coordenador sub-regional da FAO para a África Austral.

Por sua vez, o Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou, no ano passado, que a conjugação de choques climáticos, conflitos armados e esgotamento das reservas alimentares ameaçam agravar a insegurança alimentar em Moçambique.

“Durante o primeiro semestre de 2025, a insegurança em Cabo Delgado deteriorou-se ainda mais, com ataques intensificados por parte de grupos armados não estatais, deslocando mais de 48 mil pessoas desde Janeiro até ao início de Julho”, avançou. a d v e r t i s e m e n t

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