A divisão da Meta responsável pelo desenvolvimento do metaverso, a Reality Labs, será, de acordo com o The New York Times, alvo de despedimentos e espera-se um corte de 10% no número de trabalhadores – o que deverá corresponder a cerca de 1.500 funcionários. Especula-se que estes despedimentos sejam o resultado de um investimento cada vez maior da Meta no desenvolvimento de Inteligência Artificial, o que (naturalmente) surge à custa de um afastamento de outras iniciativas como é o caso do metaverso e da realidade aumentada. Esta notícia surge numa altura em que o CTO da Meta, Andrew Bosworth, convocou para quarta-feira, dia 14 de janeiro, uma reunião que categorizou como “a mais importante” deste ano e à qual “apelou aos trabalhadores para participarem de forma presencial”. Entrevistámos a investigadora e professora catedrática do Instituto Superior Técnico na área de Inteligência Artificial, Inês Lynce, sobre a utilização, riscos e boas práticas de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para saber mais sobre candidatos eleitorais. Miguel Patinha Dias | 11:47 – 13/01/2026 Acredita-se que a reunião poderá estar relacionada com estes cortes realizados na divisão Reality Labs e que também já foram alvo de rumores no final do ano passado. Na altura, a Bloomberg indicava que a Meta planeava cortar em 30% o orçamento para esta divisão da empresa. O erro de Mark Zuckerberg Os últimos anos têm sido dominados por uma autêntica ‘corrida’ entre gigantes tecnológicas no que diz respeito ao desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial cada vez mais avançados. A Meta de Mark Zuckerberg tem sido uma das empresas mais empenhadas no investimento, formando até uma nova equipa formada por talento contratado a empresas rivais – como a OpenAI e a Apple. Apesar de a Meta ter os olhos colocados no futuro, há quem esteja disposto a lembrar o passado recente e notar que, até há bem pouco tempo, o cofundador e CEO Mark Zuckerberg não olhou a custos para investir naquilo que (naquela altura) considerava ser o futuro do mundo da tecnologia – o metaverso. A tecnológica Meta apelou hoje para que a Austrália reconsidere a sua proibição das redes sociais para menores de 16 anos, após ter informado que bloqueou mais de 544.000 contas ao abrigo da legislação. Lusa | 09:56 – 12/01/2026 O economista Dean Baker afirma que a decisão da Meta de alocar 77 mil milhões de dólares (65,4 mil milhões de euros) no metaverso foi um investimento “estúpido”, notando que foi equivalente a “deitar dinheiro sanita abaixo”, com Zuckerberg a ter entretanto voltado as atenções para a Inteligência Artificial. Baker explica que, apesar de não ser contra elevados investimentos em inovações que melhorem a produtividade e levem a crescimento económico, considera que este investimento da Meta no metaverso teve um “custo para a sociedade”. “Quando o Zuckerberg investiu 77 mil milhões de dólares no metaverso estava a impedir que os engenheiros de software se dedicassem a outras tarefas que poderiam ter sido mais produtivas”, escreve Baker. “O mesmo é verdade para todas aquelas pessoas que trabalharam no planeamento e implementação da visão dela do metaverso. Estas eram todas pessoas que poderiam, de outra forma, estarem empregados de forma produtiva”. O economista volta-se então para a aposta em Inteligência Artificial que está a ser feita por empresas não só como a Meta, como também pela Google e pela OpenAI, e nota que, apesar de se tratar de uma tecnologia que está a levar a crescimento económico, é um investimento que está a levar a rede elétrica ao limite por via dos data centers necessários para treinar modelos de linguagem. “A questão óbvia que precisa ser feita neste contexto é: terá o Mark Zuckerberg ficado mais inteligente nos últimos cinco anos desde que decidiu atirar 77 mil milhões de dólares ao lixo com o metaverso? Há algumas razões para pensarmos que pode não estar mais perspicaz hoje do que era em 2020. Provavelmente teremos a nossa resposta em 2026”, notou Baker, apontando para uma possível bolha na área da Inteligência Artificial que já começou a ser motivo de preocupação na área da tecnologia. Leia Também: Brasil investiga Meta por concorrência desleal no WhatsApp

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