Desde 2024, mais de 1.000 criminosos procurados, incluindo violadores, pedófilos e ladrões violentos, foram detidos graças ao uso do sistema de reconhecimento facial em tempo real, utilizado regularmente em locais específicos ou em eventos de risco, como jogos de futebol. “Atualmente, estamos a realizar quatro operações de meio dia por semana em pontos críticos. A partir de abril, vamos adquirir mais carrinhas (com câmaras) e colocar mais pessoas a trabalhar nelas. Pretendemos realizar 10 operações de meio dia por semana”, revelou, num encontro com jornalistas estrangeiros, entre os quais a agência Lusa. A tecnologia, que começou a ser usada operacionalmente em 2020, analisa os rostos das pessoas que passam por um local e compara-os com uma lista de pessoas procuradas pela polícia, emitindo um alerta quando deteta uma correspondência. Um agente verifica então a informação e decide se pretende abordar a pessoa. Segundo Rowley, em duas horas numa zona muito movimentada é possível deter dezenas de pessoas procuradas por diferentes tipos de crimes ou em violação de medidas de coação. “Estamos a parar pessoas com um alto grau de precisão. Num ano inteiro, tivemos três milhões de pessoas a passar pela câmara. O nosso relatório anual indicou que houve oito identificações erradas. Quatro delas eram óbvias e a pessoa nem sequer foi parada ou abordada; noutras quatro, a pessoa foi abordada brevemente e depois seguiu o seu caminho. Portanto, não gerou nenhuma detenção indevida”, vincou. O responsável defende-se das críticas de violação dos direitos civis, sublinhando que a polícia não retém as imagens de pessoas inocentes e que os seus rostos são apagados do sistema “em milésimos de segundo”. O comissário da Scotland Yard, como também é conhecida a força policial da capital britânica, garante ainda que o algoritmo informático utilizado é bastante preciso, resultando num número muito baixo de falsos positivos em termos de género ou etnia. “É muito importante que a polícia tenha a confiança da população nas táticas que utiliza. Temos dados de uma pesquisa realizada em Londres que mostram que 85% do público apoia o uso do reconhecimento facial”, adiantou. Recentemente, a polícia passou a usar drones posicionados no topo de edifícios no centro da cidade para chegar mais depressa a incidentes e fornecer imagens aéreas em tempo real. “Estamos a descobrir que, muitas vezes, (os drones) podem dispensar a mobilização de um agente porque não há nada a acontecer, poupando recursos e tempo. Mas as câmaras também podem reunir informação para os agentes a caminho”, referiu. Outro uso eficiente da tecnologia tem sido a análise cruzada de dados relativos a ameaças a mulheres ou crianças, como perseguição, assédio, violência doméstica, agressão sexual e atentado ao pudor, entre outros, para identificar homens que representam um risco agravado. Rowley revelou que os dados, ainda por publicar, mostram que a polícia está a conseguir “reduzir para metade o risco que esses homens representam em comparação com as táticas normais”. O comissário afirmou que o uso de tecnologias está a produzir resultados em Londres, onde a polícia está sob pressão financeira e enfrenta falta de recursos humanos. A Polícia Metropolitana tem vindo a expulsar centenas de agentes por comportamento ilícito ou impróprio, após o rapto, violação e homicídio de uma mulher de 33 anos, Sarah Everard, em 2021, por um polícia que foi depois condenado a prisão perpétua. “Estamos a prender mais mil pessoas por mês”, congratulou-se Rowley, reivindicando uma estratégia de “uso de dados e tecnologia” para estes agentes serem “o mais precisos possível na perseguição das pessoas mais perigosas”. Leia Também: Ucrânia? Londres destina 230 milhões para preparar futura força de paz

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