Os preços de produtos frescos registaram uma subida acentuada nos principais mercados da cidade de Chimoio, na província de Manica, tornando-se cada vez mais inacessíveis para famílias de baixa renda. Batata-reno, tomate e cebola figuram entre os produtos que mais pressionam o orçamento dos consumidores. De acordo com o jornal O País, uma ronda efectuada por mercados como Catanga e 7 de Abril permitiu constatar que os preços actualmente praticados estão apenas ao alcance de consumidores de classe média e alta. A batata-reno, por exemplo, passou de 350 meticais para 600 meticais o saco de 10 quilogramas, num curto espaço de tempo. Os vendedores justificam o agravamento dos preços com a dependência de produtos importados, sobretudo da África do Sul, bem como com os elevados custos de transporte. Segundo explicaram, a batata é adquirida em Maputo, já com preços elevados, aos quais se somam despesas logísticas. “Se a batata custa 420 meticais em Maputo, temos de acrescentar cerca de 85 meticais de transporte, além dos custos de descarregamento. No fim, somos obrigados a vender a 600 meticais para não ter prejuízo”, explicou um comerciante. Outros produtos como tomate, cebola, cenoura e feijão-verde também registam aumentos significativos. Uma caixa de tomate chega a custar 2 mil meticais, situação que, segundo os vendedores, tem reduzido consideravelmente as vendas. Consumidores ouvidos manifestam preocupação com o custo de vida. Izilda do Rosário contou que se deslocou ao mercado Catanga para comprar batata-reno, mas acabou por desistir devido ao preço elevado, optando apenas por adquirir temperos básicos. “Com este dinheiro não dá para comprar tudo. A batata ficou muito cara”, lamentou. Manica é reconhecida pelas suas condições agro-ecológicas favoráveis à produção de hortícolas e leguminosas. No entanto, a província continua a depender da importação de produtos agrícolas básicos. Para o agrónomo Manuel Queiroz, com mais de 20 anos de experiência, esta realidade não faz sentido e resulta da falta de planificação e organização da produção local. “O problema não é a terra nem o clima; é a ausência de uma estratégia que garanta produção contínua, competitividade e ligação eficaz ao mercado”, defendeu. Enquanto soluções estruturais não são implementadas, os preços dos produtos frescos continuam a pesar no bolso dos consumidores, agravando as dificuldades de acesso à alimentação básica para muitas famílias da cidade de Chimoio.advertisement
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