advertisemen tA ex-ministra das Finanças da Guiné-Conacri, Malado Kaba, afirmou que as maiores agências internacionais de notação financeira (agências de ‘rating’) utilizam dados incompletos sobre África, o que encarece o financiamento, afasta investidores e prejudica o desenvolvimento económico do continente. “As conclusões retiradas de dados incompletos tornam-se caras para África, aumentam os custos, diminuem o apetite dos investidores e atrasam a conclusão financeira de projectos”, declarou Malado Kaba, durante um seminário organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada ao desenvolvimento, e pelo Centro Africano para a Transformação Económica. No encontro, vários gestores de agências africanas de ‘rating’, bem como responsáveis ​​do PNUD e do Centro Africano para a Transformação Económica, convergiram na crítica às três maiores agências globais – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch – por não reflectirem a real capacidade de os países africanos honrarem a dívida externa. “Os analistas estão cá cinco dias e pensam que compreendem as especificidades das nossas economias”, criticou Malado Kaba, defendendo que a curta permanência no terreno contribui para avaliações distorcidas da realidade económica africana. Segundo a antiga governante, as agências regionais de ‘rating’ podem colmatar essas lacunas, ao “retratar a especificidade do contexto africano, aferir o real peso da informalidade e avaliar a realidade no terreno”, beneficiando investidores e decisores públicos. Actualmente, dos 54 países africanos, apenas o Botsuana e as Ilhas Maurícias têm notação de crédito considerada não especulativa, enquanto os restantes são vistos como de risco, o que eleva o custo dos empréstimos e reduz verbas disponíveis para sectores como a educação e a saúde. “As três principais agências de ‘rating’ têm limitações, falta de informação granular, sem escritórios no local”Jacob Assa De acordo com um estudo de 2023 do PNUD e da consultora AfriCatalyst, os países africanos pagam, em média, mais 1,5 ponto percentual em juros, o que já custou mais de 7,5 mil milhões de dólares ao continente. “As três principais agências de ‘rating’ têm limitações, falta de informação granular, sem escritórios no local”, afirmou Jacob Assa, responsável do PNUD em África, enquanto Omowonuola Kunle-Bello, directora da agência nigeriana Bloomfield Investment, defendeu que a presença no terreno explica avaliações mais ajustadas, como no caso dos protestos no Quénia. A alegada distorção destas avaliações está na origem da criação, este ano, de uma agência africana de ‘rating’, que funcionará nas Ilhas Maurícias sob a égide da União Africana, organização continental que promove a cooperação política e económica entre os Estados africanos. Fonte: Lusa

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts