a d v e r t i s e m e n tO ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, iniciou nesta quarta-feira (7) a sua visita anual de Ano Novo a África, com foco no acesso comercial estratégico nas regiões Oriental e Austral, numa altura em que Pequim procura garantir rotas marítimas e linhas de abastecimento de recursos essenciais.
De acordo com a Reuters, Wang Yi viajará para a Etiópia, a grande economia de mais rápido crescimento do continente; para a Somália, um Estado do Corno de África que oferece acesso a importantes rotas marítimas globais; à Tanzânia, um centro logístico que liga a região Central, rica em minerais, ao oceano Índico; e ao Lesoto, uma pequena economia da zona Austral pressionada pelas medidas comerciais dos Estados Unidos da América (EUA).
A sua viagem deste ano vai até 12 de Janeiro
Pequim pretende destacar os países que considera parceiros-modelo do programa de infra-estruturas emblemático do Presidente Xi Jinping, “Belt and Road”, e expandir os mercados de exportação, particularmente em economias jovens e cada vez mais prósperas, como a Etiópia, onde o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento de 7,2% este ano.
A China, o maior credor bilateral do mundo, enfrenta uma concorrência crescente da União Europeia (UE) no financiamento de infra-estruturas africanas, uma vez que os países afectados pelas tensões da dívida na era da pandemia procuram agora investimentos em vez de empréstimos.
“O verdadeiro teste decisivo para 2026 não é apenas a chegada do investimento chinês, mas a ‘africanização’ desse investimento. À medida que Wang Yi visita centros como a Etiópia e a Tanzânia, a conversa deve ir além da simples construção de estradas para a construção de fábricas”, afirmou Judith Mwai, analista de políticas da Development Reimagined, uma consultoria focada em África.
“Para os líderes africanos, esta digressão é uma oportunidade para exigir que os projectos ‘pequenos, mas bonitos’ da China visem especificamente as nossas lacunas industriais, transformando as matérias-primas africanas em produtos acabados em solo africano, em vez de apenas facilitar a sua saída”, acrescentou.
Na sua viagem de início de ano em 2025, Wang visitou a Namíbia, a República do Congo, o Chade e a Nigéria.
Primeira missão diplomática à Somália em décadas
A sua visita à Somália será a primeira de um ministro das Relações Exteriores chinês desde a década de 1980 e deverá proporcionar a Mogadíscio (capital da Somália) um impulso diplomático, depois de Israel se ter tornado o primeiro país a reconhecer formalmente a República separatista da Somalilândia, uma região do norte que se declarou independente em 1991.
Pequim, que reiterou o seu apoio à Somália após o anúncio israelita em Dezembro, está empenhada em reforçar a sua influência em torno do Golfo de Aden, a entrada para o Mar Vermelho e um corredor vital para o comércio chinês que transita pelo Canal do Suez para a Europa.
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi
Mais a sul, a Tanzânia é fundamental para o plano de Pequim de garantir o acesso aos vastos depósitos de cobre de África. Empresas chinesas estão a renovar a ferrovia Tazara, que atravessa o país até à Zâmbia. Li Qiang fez uma viagem histórica à Zâmbia em Novembro, a primeira visita de um primeiro-ministro chinês em 28 anos. A ferrovia é amplamente vista como um contrapeso ao Corredor Lobito, apoiado pelos EUA e pela UE que liga a Zâmbia aos portos do Atlântico através de Angola e da República Democrática do Congo.
China defende o livre comércio no Lesoto
Ao visitar o reino do Lesoto, na África Austral, Wang pretende destacar o esforço de Pequim para se posicionar como defensora do livre comércio. No ano passado, a China ofereceu acesso ao mercado sem tarifas à sua economia de 19 biliões de dólares para as nações mais pobres do mundo, cumprindo uma promessa feita pelo Presidente chinês Xi Jinping na cúpula de cooperação China-África de 2024, em Pequim.
O Lesoto, uma das nações mais pobres do mundo, com um Produto Interno Bruto de pouco mais de 2 mil milhões de dólares, foi um dos países mais afectados pelas tarifas arrebatadoras impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado, enfrentando impostos de até 50% sobre as suas exportações para os Estados Unidos.
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