a d v e r t i s e m e n tA Standard & Poor’s (S&P) melhorou, pela primeira vez, em 16 anos, a classificação da África do Sul e baixou o Senegal para o último nível antes do incumprimento. Eis as notas de Novembro para países africanos.
A S&P analisou, em Novembro, o ‘rating’ de cinco países africanos, tendo mantido dois, melhorado outros dois e baixado a opinião sobre a qualidade do crédito do Senegal para CCC, o último nível antes do incumprimento financeiro, essencialmente devido à elevada dívida descoberta este ano. “Com uma previsão de dívida equivalente a 119% do PIB, os níveis da dívida pública senegalesa estão mais de 40 pontos percentuais acima do que foi originalmente reportado em Dezembro de 2024”, escrevem os analistas da S&P, na nota que acompanha a decisão de descer o ‘rating’ para CCC. As necessidades brutas de financiamento do Governo, para 2026, devem chegar a quase 30% do Produto Interno Bruto, representando 4,6 mil milhões de dólares de dívida externa vencida, dos quais 1,8 mil milhões de dólares são dívida comercial, acrescenta a S&P na justificação para a descida da avaliação do risco.
“As autoridades alinharam várias fontes de financiamento para 2026 e mantiveram um bom acesso ao mercado interno, mas o custo do financiamento global deverá aumentar cerca de 200 pontos-base acima do custo actual da dívida total do Governo, que se situava em cerca de 4% no final de 2024”, acrescentam, o que atira a dívida do país para níveis insustentáveis.a d v e r t i s e m e n t
Um contexto de difícil gestão
O Senegal, país da costa ocidental de África, o mais próximo de Cabo Verde e vizinho da Guiné-Bissau, enfrenta uma situação económica preocupante, com um défice orçamental de 14% e uma dívida pública pendente que representa 119% do PIB – além de uma taxa de desemprego de 20% e um nível de pobreza que afecta 35,7% da população.
O Presidente Bassirou Diomaye Fay, no poder desde 2024, acusou o Governo anterior, liderado por Macky Sall, de ter ocultado os números reais sobre vários indicadores macroeconómicos, como a dívida pública ou o défice orçamental.
O anterior Governo do Senegal tinha subestimado o défice orçamental e os montantes de dívida por pagar
O Senegal mergulhou numa crise da dívida repentina depois de uma auditoria pública, em Fevereiro de 2024, ter revelado que o Governo anterior tinha subestimado o défice orçamental e os montantes de dívida por pagar.
Optimismo sobre a África do Sul
Em sentido inverso, a África do Sul viu o seu ‘rating’ melhorado, pela primeira vez, em 16 anos, para BB, a apenas um nível da recomendação de investimento. “Esperamos que o crescimento real do PIB da África do Sul aumente para 1,1% em 2025, depois de um crescimento modesto de 0,5% no ano passado e atinja uma média de 1,5% entre 2026 e 2028, à medida que as reformas nos sectores de electricidade e outros sectores apoiam o crescimento”, escrevem os analistas da S&P.
A receita fiscal da África do Sul superou as metas no ano fiscal de 2025, que terminou em Março, o que ajudou no controlo da despesa, assinalam.
Nas outras três análises do ‘rating’ divulgadas, a S&P mantém o Ruanda em B+ e a Costa do Marfim em BB, e melhora a perspectiva de evolução da Nigéria, a maior e mais populosa economia africana, para positiva, mantendo o rating em B-, todos abaixo da recomendação de investimento.a d v e r t i s e m e n t
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