O investigador chinês João Shang considerou a industrialização angolana “uma necessidade histórica e estratégica”, defendendo como prioridade a transformação local de recursos naturais e a existência de políticas públicas adaptadas à realidade angolana, noticiou a Lusa, nesta terça-feira, 6 de Janeiro. Num artigo intitulado “Apenas a Industrialização Pode Salvar Angola”, João Shang, investigador em relações sino-africanas, associado ao Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de África (CEDESA), sublinhou que o país lusófono dispõe de recursos, capital humano e potencial necessários para o processo de industrialização. “O desafio agora é transformar essas vantagens em capacidade produtiva real”, referiu, considerando que “o destino de Angola não será decidido pelo que extrai do subsolo, mas pelo que consegue produzir com inteligência, trabalho e visão de longo prazo.”advertisement Para o académico, é necessária uma industrialização adaptada à realidade angolana e não a repetição de “modelos ultrapassados ​​ou ambientalmente insustentáveis. Angola tem a oportunidade de seguir uma via de industrialização moderna, gradual e estratégica, baseada nas suas vantagens comparativas e nas exigências do século XXI. O sucesso da industrialização exige políticas públicas coerentes, estabilidade institucional, investimento em capital humano e uma parceria estratégica entre o Estado e o sector privado”, frisou. O especialista destacou que Angola é um dos países africanos mais ricos em recursos naturais, como petróleo, gás natural, diamantes, minerais metálicos, com vastas extensões de terras aráveis ​​e um enorme potencial hidroeléctrico. Mas “apesar de períodos de forte crescimento económico, Angola continua a enfrentar desafios estruturais profundos: dependência excessiva do petróleo, fraca diversificação produtiva, elevado desemprego juvenil, forte dependência das importações e vulnerabilidade às oscilações externas”, realçou. O também escritor e jornalista chinês observou que esses desafios revelam “um problema de fundo”, ou seja, que “o modelo de crescimento baseado predominantemente na exportação de matérias-primas atingiu os seus limites”, pelo que se torna “cada vez mais evidente que apenas a industrialização pode alterar, de forma estrutural e duradoura, o destino económico e social de Angola.” Dependência do petróleo torna Angola vulnerável João Shang, investigador de economia dos Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) no Centro Chinês de Estudo dos Países de Língua Portuguesa (CCEPLP) da Universidade da Economia e Negócio Internacionais (UIBE), sublinhou que, durante muitos anos, Angola beneficiou do sector petrolífero, como papel decisivo na reconstrução nacional e financiamento do Estado. “As receitas do petróleo permitiram investir em infra-estruturas, estabilizar as finanças públicas em determinados períodos e inserir Angola nos fluxos da economia global”, disse, enfatizando que essa dependência “criou fragilidades profundas”. João Shang, investigador de economia dos Estados-membros da CPLP da UIBE Shang salientou que os preços dos recursos naturais são definidos nos mercados internacionais, fora do controlo nacional, provocando pressões cambiais, défices fiscais, inflação e dificuldades sociais. “Esta dinâmica cíclica demonstra que a riqueza baseada exclusivamente em recursos é instável e imprevisível”, referiu, acrescentando que “uma economia excessivamente dependente de recursos tende a negligenciar o desenvolvimento de outros sectores produtivos, enfraquecendo a base industrial e tecnológica do país”. Com este cenário, “o resultado é uma economia vulnerável, pouco diversificada e dependente do exterior”, e só a industrialização pode representar uma mudança qualitativa no modelo económico. João Shang aponta como prioridades o desenvolvimento agro-industrial, a criação de zonas económicas especiais e parques industriais, a atracção de investimento estrangeiro, com transferência de tecnologia, a formação técnica e profissional alinhada com as necessidades industriais e a integração regional.

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