
O aumento das tensões geopolíticas mundiais, com a intervenção dos EUA na Venezuela e a captura do Presidente Nicolás Maduro, não abalaram o apetite pelo risco dos investidores e até acabaram por impulsionar o índice Dow Jones para novos máximos. Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta segunda-feira em alta, acompanhando os ganhos já registados na Europa, com o setor petrolífero e da defesa, em conjunto com uma recuperação das tecnológicas, a dar força às ações do país.
O S&P 500 acelerou 0,64% para 6.902,05 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite ganhou 0,69% para 23.395,82 pontos e o industrial Dow Jones atingiu um novo máximo, saltando 1,23% para 48.977,18 pontos e tocando, pela primeira vez, nos 49.209,95 pontos. Os três índices viveram uma sessão bastante volátil na sexta-feira, encerrando a negociação divididos entre ganhos e perdas, num dia em que o volume negociado foi reduzido e os investidores aproveitaram para reajustar posições.
As petrolíferas foram o grande destaque da negociação, com os “traders” esperançosos que a intervenção militar norte-americana na Venezuela abra portas a uma maior exploração do petróleo do país da América Latina por parte das empresas dos EUA. A Chevron, que já lá opera através de uma licença especial concedida pela administração Trump, disparou 5,10% e o movimento foi acompanhado pela Exxon, que ganhou 2,21%.
A Halliburton e a SLB, que prestam apoio às empresas do setor, nomeadamente de extração, aceleraram 7,84% e 8,96%, respetivamente, enquanto outras empresas de refinação como a Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy subiram entre 3% e 9%. Os preços do petróleo valorizaram quase 2% na sessão de segunda-feira, apesar de até terem chegado a recuar durante a madrugada.
“As ações do setor energético beneficiaram da expectativa de que o presidente Trump pretende enviar (as petrolíferas) para fazer mais investimentos na Venezuela e, em última análise, ganhar mais dinheiro para si próprias”, explica Rob Haworth, estratega sénior de investimentos da U.S. Bank Wealth Management, à Reuters. “A ausência de tropas permanentes no terreno significa que os mercados acionistas em geral podem deixar de lado o que poderia ter sido o receio de um envolvimento prolongado”, acrescenta.
A Venezuela tem as maiores reservas do mundo de petróleo – cerca de 303 mil milhões de barris, a grande maioria presente na região de Orinoco. No entanto, a capacidade de refinação do país está longe do pico atingido nos anos 1970, com apenas um terço da produção a ser feita atualmente, muito devido à falta de investimento, problemas na gestão do setor e ainda as sanções impostas pelos EUA.
O setor da defesa também “celebrou” a intervenção militar, atingindo novos máximos, com a Lockheed Martin a acelerar 2,93% e a General Dynamics a ganhar 3,57%. No domingo, um dia após o ataque, o Presidente norte-americano afirmou que um segundo ataque seria possível caso os membros restantes da atual administração venezuelana não cooperassem com Washington. No entanto, a Presidente interina entretanto nomeada, Delcy Rodriguez, já veio “convidar o Governo dos EUA para trabalhar juntos numa agenda de cooperação”.
Fora do conflito geopolítico, a sessão desta segunda-feira entregou novos máximos históricos ao Goldman Sachs e ao JPMorgan Chase, com os dois bancos a subirem 3,73% e 2,63%, respetivamente. Tal como é habitual, a banca dá início à época de resultados dos EUA já na próxima semana e os investidores antecipam mais um trimestre positivo, com os analistas a apontarem para um crescimento de 6,7% dos lucros no setor.
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