advertisemen tO vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, defendeu, nesta segunda-feira (5), uma aceleração da transição energética do arquipélago, para estar menos dependente do petróleo, face a situações imprevisíveis como o ataque norte-americano à Venezuela. “Há um ditado que nunca falha: (devemos) preocupar-nos com as variáveis que controlamos: se você for preocupar-se com as variáveis que não controla está a perder tempo”, referiu Olavo Correia, numa conferência de imprensa, na cidade da Praia, ao ser questionado sobre a influência da situação na Venezuela, enquanto produtor de petróleo, nas previsões do Orçamento de Estado para 2026. “Vamos deixar as coisas andar, vamos olhar e adaptar-nos ao contexto. Não somos actores principais deste quadro, portanto, é uma variável que não controlamos”, acrescentou o governante que tutela as Finanças e Economia Digital, no que respeita à situação geopolítica, em si. A variável que Cabo Verde controla, afirmou, é a aceleração da “agenda de transição” para assegurar “segurança energética”. A situação na Venezuela “preocupa” o país e, segundo Correia, remete para a necessidade de alcançar as metas de produção de electricidade a partir de fontes renováveis, sem depender da importação de petróleo de países terceiros. Cerca de um terço da energia produzida em Cabo Verde deverá, este ano, ter origem renovável, valor que poderá ascender a metade ou mais, até 2030, graças a investimentos em curso, substituindo as importações de combustíveis. “Investir na segurança energética do nosso país é fundamental para termos maior capacidade de enfrentarmos situações destas (como na Venezuela) ou outras que podem vir a acontecer, não controlamos essas tendências a nível mundial”, frisou, destacando: “Temos de continuar atentos e prepararmo-nos para um contexto cada vez mais desafiante (…). Estamos a ver que, no plano multilateral, as coisas, hoje, estão muito instáveis e somos confrontados com coisas novas e surpreendentes.” Os Estados Unidos da América (EUA) lançaram no sábado (3) “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para prender e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. Maduro e a mulher foram transportados para Nova Iorque e o ex-Presidente deve comparecer, nesta segunda-feira, num tribunal, em Manhattan. A vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país. Apesar da situação, o barril de petróleo bruto Brent para entrega estava, nesta segunda-feira, a cotar-se acima de 60 dólares, e o mercado permanece estável devido ao excesso de reservas globais, segundo analistas citados pela agência EFE.
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