
1 – País vai a votos para escolher sucessor de Marcelo com uma segunda volta anunciada Logo a 18 de janeiro o país volta às urnas, para escolher o novo Presidente da República. Há cinco candidatos mais bem posicionados a disputar a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa e, a confiar nas sondagens que têm vindo a ser divulgadas, é praticamente certo que será preciso ir a uma segunda volta, na medida em que nenhum dos cinco deverá conseguir obter mais de 50% dos votos logo a 18 de janeiro. André Ventura, líder do Chega, e Marques Mendes, apoiado pelo PSD, têm surgido, alternadamente, em primeiro lugar nas intenções de voto contabilizadas nos inquéritos de opinião realizados nas últimas semanas, com Henrique Gouveia e Melo – que arrancou na liderança – a cair nos rankings. António José Seguro, que tem o apoio dos socialistas , e João Cotrim de Figueiredo, antigo líder da Iniciativa Liberal, seguem taco a taco, mas mais em baixo, com este último a registar uma subida significativa em dezembro, no barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV. A verdade, porém, é que com a margem de erro que este tipo de estudos normalmente apresenta, e que pode chegar aos 4%, os cinco candidatos andam relativamente próximos uns dos outros, não sendo muito claro qual o par que passará à segunda volta. Ainda assim, e num cenário em que André Ventura mantenha a dianteira e vá novamente a eleições, as sondagens indicam que não conseguirá, também aí, atingir os votos necessários para ser eleito para Belém – basicamente, perderia com qualquer um dos quatro candidatos mais fortes, entre os 11 que entregaram no Tribunal Constitucional as assinaturas suficientes para verem os seus nomes nos boletins de votos. E entre os que não têm grande hipótese de ir à segunda volta aparecem Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, António Filipe, pelo PCP e Jorge Pinto, pelo Livre. Todos à esquerda do PS, a todos os socialistas têm piscado o olho, pedindo uma desistência a favor de Seguro que, se não garantiria uma vitória à primeira, asseguraria um lugar na segunda volta. Numa recente entrevista ao Negócios, Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar do PS, recorria mesmo a uma frase usada por Mário Soares quando, na década de 80, defrontou Freitas do Amaral também numa corrida à Presidência da República: “Este é o momento do apelo ao povo de esquerda”, afirmou o socialista, acrescentando que muitas vezes, “apoiar outro é a forma mais eficaz de não desistirmos”. Resta saber que resultados terá o apelo à união da esquerda para evitar uma vitória da direita, sendo certo que, pelo menos António Filipe avisou já que o PCP não prescindia de ir a votos com o seu candidato próprio. À direita, Marques Mendes tem apostado em tirar votos a Cotrim de Figueiredo, cujo eleitorado é muito próximo daquele que ele próprio tem reunido e cuja fragmentação pode ser fatal para a sua candidatura. E se “até ao lavar dos cestos é vindima”, a haver uma segunda volta diz a Constituição da República que o novo sufrágio deverá realizar-se “até ao vigésimo primeiro dia subsequente à primeira votação”. Só dois candidatos é que passam e vence o “que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco”.
Painel