A semana económica em Moçambique ficou marcada por decisões do regulador financeiro, investimentos estratégicos do Governo no sector da justiça e alertas de organizações internacionais sobre perdas significativas no sector florestal, com impacto directo na economia nacional. O Banco de Moçambique (BdM) aplicou, no último ano, multas que totalizam quase um milhão de euros a nove instituições de crédito e sociedades financeiras a operar no País, por “violação de normas” legais e regulamentares. Segundo o banco central, entre Dezembro de 2024 e Dezembro de 2025 foram sancionadas nove instituições, na sequência de infracções às normas prudenciais, às regras de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, às disposições cambiais e às normas de protecção do consumidor financeiro.advertisement Entre as instituições penalizadas, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), detido pelo grupo português Caixa Geral de Depósitos, destacou-se como o mais sancionado, tendo sido alvo de duas penalizações distintas aplicadas pelo regulador durante o período em análise. Investimento de mil milhões de dólares na justiça No domínio da governação, o Executivo lançou o Plano Estratégico do Sector da Justiça 2025-34, cuja operacionalização está orçada em cerca de 66,6 mil milhões de meticais, equivalentes a mil milhões de dólares, com o objectivo de transformar o sector numa referência nacional. Ao longo da próxima década, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos pretende reforçar o respeito pelos direitos humanos e pela legalidade, ampliar o acesso à justiça, fortalecer a capacidade institucional e aprofundar a reforma do sistema penitenciário. A estratégia atribui particular relevância ao reforço do sistema prisional, assumindo como prioridade a criação de condições que respeitem a dignidade humana, assegurem a reabilitação dos reclusos e promovam a sua efectiva reintegração na sociedade, como eixo central da reforma do sector da justiça. Sector florestal com perdas anuais de 500 milhões de dólares No sector ambiental, a Forest Stewardship Council (FSC), organização não-governamental internacional que promove a gestão florestal responsável, estima que Moçambique perde anualmente cerca de 500 milhões de dólares devido a práticas insustentáveis ​​no sector florestal. De acordo com a organização, práticas como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima têm conduzido à degradação de quase 60% dos recursos florestais do País, com uma taxa anual de perda florestal de 0,58%, causando prejuízos elevados à economia nacional. Apesar deste cenário, o FSC reconhece os esforços das autoridades moçambicanas no combate à exploração ilegal de madeira e no cumprimento de metas climáticas e de sustentabilidade, destacando medidas como a proibição da exportação de madeira em bruto, que limitou a saída de 22 espécies de primeira classe do País. Texto: Florença Nhabindea dvertisement

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