A continuidade da Mozal, a maior fundição de alumínio de Moçambique, está ameaçada por uma combinação de factores climáticos, estruturais e contratuais que expõem fragilidades do sistema eléctrico nacional e poderão levar à suspensão das operações a partir de Março de 2026. Governo admite possível suspensão se não houver solução energéticaA Mozal alertou que poderá suspender as suas operações caso não consiga assegurar um contrato de fornecimento de energia adequado para as suas actividades industriais, que exigem um fornecimento constante de electricidade a preços competitivos. A actual dependência de energia externa e dificuldades de negociações com fornecedores internos complicam o cenário. Energia da HCB existe, mas está comprometida e afectada pela secaA Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), a maior central hidroeléctrica de Moçambique e uma das maiores de África, produz energia significativa. Contudo, grande parte dessa energia está comprometida em contratos antigos de exportação e, actualmente, a sua capacidade está reduzida devido à seca provocada pelo fenómeno climático El Niño, que diminui o caudal do rio Zambeze e limita a produção hidroeléctrica. Fluxo de energia: da HCB à Mozal via EskomActualmente, a Mozal não recebe energia directamente da HCB devido à falta de uma ligação interna robusta que percorra o país desde o Vale do Zambeze até à região de Maputo. Em vez disso, a energia da HCB segue um trajecto indirecto: • A Eskom, empresa eléctrica da África do Sul, compra 1.150 megawatts (MW) da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. • Dessas compras, a Eskom vende cerca de 950 MW à Mozal para alimentar a produção de alumínio. • A Mozal precisa tipicamente de 950 MW para produzir mais de 560.000 toneladas de alumínio por ano. Este circuito energético — HCB, Eskom e Mozal — existe porque não há ainda uma linha de transmissão interna em Moçambique suficientemente desenvolvida que ligue a barragem directamente à fundição, algo que muitos especialistas entrevistados nas TV’s consideram crucial para reduzir custos e dependência externa. Transporte interno: maior gargalo estruturalMesmo que a HCB consiga gerar energia suficiente, o desafio permanece no transporte interno dessa electricidade. As linhas de muita alta tensão (MAT) existentes foram principalmente desenhadas para exportar energia para o exterior, sendo poucas ou insuficientes as ligações que levem directamente, de norte a sul, a energia que Mozal exige. Especialistas e responsáveis ​​moçambicanos têm destacado que investir na expansão dessas linhas e na integração da rede eléctrica nacional seria fundamental para reduzir a dependência da Eskom e otimizar o uso da energia gerada internamente. Preços, contratos e negociações complicadasAlém da questão física da transmissão, há também diferenças significativas nos preços e termos contratuais. A Mozal procura tarifas que reflitam a sua competitividade internacional, enquanto fornecedores como a HCB argumentam que preços demasiado baixos implicariam perdas financeiras. Estas divergências dificultam acordos directos entre Mozal e a HCB sem intermediários. Impacto económico e social profundoA possível suspensão das operações da Mozal não seria apenas um problema energético — teria consequências significativas para Moçambique: 1. Emprego: milhares de postos de trabalho directos e indirectos podem ser afectados. 2. Economia: a Mozal representa uma parte relevante da indústria transformadora e das exportações do país. 3. Receitas do Estado: a actividade da fundição contribui para o orçamento estatal e para o desenvolvimento económico. A crise actual da Mozal resulta da interacção entre factores climáticos (seca e El Niño), limitações estruturais (rede de transporte interno insuficiente) e dependência de energia intermediada pela Eskom, que compra 1.150 MW à HCB e vende 950 MW à Mozal. Sem investimentos na transmissão interna e sem um acordo energético sustentável e competitivo, Moçambique continuará a exportar energia enquanto luta para alimentar a sua maior indústria, colocando a operação da Mozal numa situação de grande incerteza. Imagem: DR span { width: 5px; height: 5px; background-color: #5b5b5b; }#mailpoet_form_3{border: 0px solid #000000;border-radius: 0px;color: #ffffff;text-align: left;}#mailpoet_form_3 form.mailpoet_form {padding: 0px;}#mailpoet_form_3{width: 100%;}#mailpoet_form_3 .mailpoet_message {margin: 0; padding: 0 20px;} #mailpoet_form_3 .mailpoet_validate_success {color: #00d084} #mailpoet_form_3 input.parsley-success {color: #00d084} #mailpoet_form_3 select.parsley-success {color: #00d084} #mailpoet_form_3 textarea.parsley-success {color: #00d084} #mailpoet_form_3 .mailpoet_validate_error {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 input.parsley-error {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 select.parsley-error {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 textarea.textarea.parsley-error {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 .parsley-errors-list {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 .parsley-required {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 .parsley-custom-error-message {color: #cf2e2e} #mailpoet_form_3 .mailpoet_paragraph.last {margin-bottom: 0} @media (max-width: 500px) {#mailpoet_form_3 {background-image: none;}} @media (min-width: 500px) {#mailpoet_form_3 .last .mailpoet_paragraph:last-child {margin-bottom: 0}} @media (max-width: 500px) {#mailpoet_form_3 .mailpoet_form_column:last-child .mailpoet_paragraph:last-child {margin-bottom: 0}} ))))>))>

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