advertisemen tDepois do sucesso da exploração e liquefacção de gás em alto mar com a plataforma Coral Sul – um feito mundial, em água ultraprofundas – o consócio da Área 4 formalizou o investimento que a E&M já havia detalhado: em 2028, a Coral Norte inicia produção. Há um prazo assinalado no calendário. “Apontamos para 2028: dentro de três anos, vamos iniciar a produção. É um compromisso, não se trata apenas de conversa.” O director-executivo da petrolífera Eni, Claudio Descalzi, foi muito claro durante a assinatura da decisão final de investimento (FID) da segunda plataforma flutuante da bacia do Rovuma, baptizada de Coral Norte, por 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros). A cerimónia decorreu a 2 de Outubro, em Maputo. O líder da petrolífera italiana, que já opera a plataforma flutuante (gémea idêntica) Coral Sul, garante que aquela “fará de Moçambique o terceiro maior produtor de gás natural liquefeito (GNL) em África”, depois da Nigéria e da Argélia, duplicando a actual produção do País (que depende apenas da Coral Sul), para sete milhões de toneladas anuais (mtpa). Segundo Descalzi, Moçambique “está também a posicionar-se na transição energética” global. “Ao longo deste caminho, qualquer um de nós é um parceiro a longo prazo empenhado no crescimento e na prosperidade do País”, garantiu, recordando: só a Coral Sul “já entregou com sucesso mais de 120 cargas de GNL desde o ‘primeiro gás’ em 2022.” Graças um desenho “inovador” e a um “desempenho de produção consistente”, a Coral Sul tem sido responsável pelo crescimento do PIB do País e pela criação de emprego. “Partindo desta base sólida”, a Coral Norte, enquanto “réplica melhorada da Coral Sul, irá agora alargar ainda mais estes benefícios, provando que o processamento flutuante de GNL é uma solução rápida, competitiva e fiável.” “Há alguns anos (cinco ou seis), toda a gente dizia que isso era impossível. Agora já estamos no segundo projecto”, apontou. A importância de um projecto estruturante O novo projecto Coral Norte deverá gerar 23 mil milhões de dólares em receitas fiscais para Moçambique ao longo dos 30 anos de operação, duplicando os postos de trabalho da primeira plataforma e prevendo um orçamento de três mil milhões de dólares em contratos para empresas locais. Da negociação com o Governo moçambicano ficou ainda definida, contratualmente, “a disponibilização de gás natural ao mercado doméstico na proporção de 25% do total do gás a ser produzido” e 100% do condensado para a produção de electricidade, permitindo o “desenvolvimento de projectos de industrialização” do País. Como “réplica melhorada da Coral Sul”, a nova plataforma “vai alargar os benefícios, provando que o processamento flutuante de GNL é uma solução rápida, competitiva e fiável” Recorde-se: Moçambique tem outros dois megaprojectos aprovados para exploração das reservas de gás da bacia do Rovuma: um da TotalEnergies (13 mtpa), em fase de retoma, após a suspensão devido a ataques terroristas na região, e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi. PR aponta para “oportunidade única” O Presidente da República, Daniel Chapo, apontou o orçamento de três mil milhões de dólares em contratos para empresas locais como “uma oportunidade única” para o tecido empresarial nacional. “É esta a nossa visão, por isso criámos vários fundos, entre os quais o Fundo de Garantia Mutuária para que as pequenas e médias empresas nacionais possam fortificar-se e aproveitar esta oportunidade de negócio”, disse Chapo. O projecto Coral Norte “não é apenas uma obra de engenharia”, mas também uma “esperança para o povo moçambicano”, por chegar “num momento em que Moçambique enfrenta desafios macroeconómicos e sociais importantes”, como “pressões” na balança de pagamentos, “necessidade urgente de criação de emprego” e o “imperativo de diversificação” da economia. O projecto Coral Norte “deve ser um pilar de estabilidade económica e social de Moçambique, um catalisador de industrialização e um instrumento de prosperidade inclusiva entre os moçambicanos”, defendeu o chefe do Estado. O Presidente considerou ainda necessário “assegurar que o gás doméstico e o condensado cheguem nas quantidades acordadas e a preço acessível” às indústrias e famílias moçambicanas, garantindo igualmente a sustentabilidade da petrolífera estatal ENH. Empresários querem preparação à altura Em comunicado, os empresários moçambicanos pediram uma melhor preparação para fornecer serviços ao novo megaprojecto Coral Norte. “Este investimento constitui um sinal de confiança dos investidores internacionais e de esperança renovada para os moçambicanos. O projecto melhorará directamente as condições de vida de cerca de 100 mil pessoas em Cabo Delgado, através da dinamização económica, criação de emprego e fortalecimento das cadeias produtivas locais”, lê-se no documento divulgado pela Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique. “Este é o momento apropriado para que o sector privado moçambicano se prepare e se capacite, tornando-se competitivo e integrado nas cadeias globais de fornecimento”, defendeu a CTA. Texto: Redacção • Fotografia: DR

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