O Standard Bank foi o patrocinador exclusivo da Cimeira Africana de Portos, Logística e Infra-estruturas, realizada em Maputo, como evento paralelo à 10.ª edição da Mozambique Gas & Energy Summit & Exhibition. A 10.ª edição da Mozambique Gas & Energy Summit & Exhibition, realizada em Maputo, nos dias 22 e 23 de Setembro, voltou a colocar o País no centro das atenções do sector energético global. O encontro reuniu empresários, investidores, decisores e profissionais para debater o futuro da energia e das infra-estruturas nacionais, num contexto em que o gás natural liquefeito (GNL) se assume como motor de desenvolvimento e instrumento de transformação económica. Entre os protagonistas, o Standard Bank destacou-se pela visão integrada apresentada nas diferentes sessões, nas quais se cruzaram as agendas da inclusão social, da segurança energética, do investimento global e da competitividade empresarial — pilares que o banco elege como essenciais para um futuro sustentável em Moçambique. Na sessão de abertura da cimeira, o Administrador Delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício, reafirmou o compromisso do banco com o progresso das infra-estruturas críticas para a conectividade regional, sublinhando que “o apoio ao sector é mais do que uma prioridade, faz parte do nosso ADN.” Inclusão e emprego: o talento existe A abertura do debate veio de Sasha Vieira, Directora de Operações do Standard Bank, que defendeu uma nova narrativa sobre o emprego e as competências no País. “O talento existe”, afirmou com convicção, recordando que, no último programa de graduados do banco, mais de 4000 jovens moçambicanos concorreram para apenas 50 vagas. “Foi difícil escolher os 50 finais”, sublinhou, realçando que o verdadeiro desafio não está na ausência de capacidades, mas em ligar o talento existente às oportunidades. “A oportunidade não é infinita. Existem hoje 23 projectos em construção no mundo que vão colocar no mercado 200 milhões de toneladas anuais de GNL. Se até 2030 houver excesso de oferta, Moçambique poderá perder espaço” Um exemplo concreto disto é a forma como identificámos talentos de excelência para o nosso programa de desenvolvimento de graduados. Identificámos talentos em todas as províncias e os trazemos para Maputo, onde fica a nossa Sede. “Particularmente, tenho graduados de Pemba, Lichinga, Nampula e Sofala na minha equipa”. Esta iniciativa promove uma diversidade de perspectivas e garante oportunidades iguais para todos os moçambicanos. Vieira defendeu igualmente uma agenda activa de equidade e inclusão de género. “Na nossa equipa de tecnologia, temos ainda muito poucas mulheres. Por isso, estamos a investir em competências STEM e a patrocinar certificações profissionais para elevar o nível do mercado.” A executiva alargou a reflexão ao ecossistema empresarial, reforçando que “existe um mito comum de que as grandes multinacionais de Oil & Gas resolverão, por si só, os elevados índices de desemprego em Moçambique”. No entanto, a solução está nas oportunidades geradas por toda a cadeia de valor – desde as empresas EPC (Engenharia, Aquisição e Construção) até ao nível mais local. É no fortalecimento desta cadeia completa que se encontra a verdadeira chave para a geração massiva de emprego. “É por isso que a nossa Incubadora é uma parte fundamental dos pilares estratégicos do banco, uma vez que não só apoia o crescimento das empresas moçambicanas, mas também, indirectamente, potencia a visibilidade de talento e oportunidades de emprego”, concluiu. Segurança energética com janela temporal limitada A dimensão social e empresarial ganhou uma perspectiva geoestratégica com Ziyad Adam, Director de Energia e Infra-estruturas do Standard Bank. “O contexto global da energia está extremamente volátil”, afirmou, apontando para os efeitos da guerra na Ucrânia e das tensões no Médio Oriente. “A Europa deixou de depender do gás russo e já investiu em nove unidades flutuantes de regaseificação. Isso cria um espaço único para novos fornecedores, e Moçambique está no centro dessa oportunidade.” Segundo Adam, o País tem um GNL de alta qualidade, competitivo e valorizado no mercado internacional. Contudo, deixou um alerta: “A oportunidade não é infinita. Existem hoje 23 projectos em construção no mundo que vão colocar no mercado 200 milhões de toneladas anuais de GNL. Se até 2030 houver excesso de oferta, Moçambique poderá perder espaço.” Para o executivo, o sucesso da indústria depende também da integração social e económica das comunidades locais. “Quando integramos essas comunidades no mercado de trabalho, reduzimos a vulnerabilidade à insurgência e reforçamos a segurança dos projectos”, afirmou. Investimento global: deixar o canto inferior esquerdo A abordagem macroeconómica coube a Paul Eardley-Taylor, responsável pelo sector do gás no Standard Bank. Com um gráfico em mãos, resumiu a ambição de transformar Moçambique num actor energético de escala global. “Não existe país rico que não tenha uma elevada procura de energia. O nosso trabalho é levar os mercados africanos do canto inferior esquerdo para o canto superior direito”, referiu. Eardley-Taylor apresentou dados elucidativos: em 2016, a procura global de gás natural era de 256 milhões de toneladas; em 2023 atingiu 411 milhões — um aumento de 160 milhões em apenas oito anos. Quando o Mozambique LNG e o Coral Norte entrarem em operação, o mercado poderá ultrapassar os 600 milhões de toneladas anuais, com projecções que rondam 700 milhões até 2040. Parte desse gás, sublinhou, será consumido dentro do continente africano. “A África do Sul vai perder entre 8 e 10 gigawatts de energia produzida através do carvão nos próximos cinco anos e terá de importar o equivalente a 8 a 10 milhões de toneladas de GNL.” Infra-estruturas e logística: oportunidade sem limites Se o gás é motor, as infra-estruturas são alicerce. Foi essa a mensagem de João Guirengane, Director da Banca Corporativa e de Investimentos do Standard Bank, durante a Cimeira Africana de Portos, Logística e Infra-estruturas de Moçambique. “O potencial do sector das infra-estruturas em Moçambique é praticamente ilimitado”, afirmou. “A logística é o coração da economia moçambicana, e existem inúmeras oportunidades para empresas locais entrarem neste mercado.” Mas deixou também um aviso: “O aproveitamento dessas oportunidades depende do reforço de competências e da preparação das empresas para competir em qualidade, escala e eficiência.” Um banco, várias agendas, um objectivo Da inclusão social à segurança energética, do investimento global às infra-estruturas, a mensagem foi clara: o Standard Bank vê-se não apenas como financiador, mas como parceiro estratégico do desenvolvimento de Moçambique. “Temos uma incubadora, apoiamos PME, formamos pessoas e trabalhamos com operadores para capacitar a população. O nosso papel é ajudar a criar um futuro sustentável”, concluiu Ziyad Adam. É essa conjugação — financiamento, conhecimento e visão de longo prazo — que coloca o Standard Bank “no centro da agenda de transformação económica do País.” Texto e Fotografia • M4D

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