Os Governos de Moçambique e da África do Sul estão a dar passos concretos para a implementação de uma fronteira de “paragem única”, com o objectivo de melhorar o funcionamento do corredor N4, também conhecido como corredor de Maputo. A iniciativa procura aliviar a forte pressão logística registada nesta altura do ano, marcada pelo regresso de muitos moçambicanos que trabalham na África do Sul, escreveu o Club of Mozambique citando um comunicado. Neste contexto, o ministro dos Transportes e Logística de Moçambique, João Matlombe, manteve conversações na manhã de sábado, 13 de Dezembro, com a ministra dos Transportes da África do Sul, Barbara Creecy. A visita de trabalho teve como finalidade compreender o funcionamento do posto quilómetro quatro, no lado moçambicano, e do posto quilómetro sete, no lado sul-africano, ambos pontos fronteiriços de controlo de pessoas e mercadorias. Segundo João Matlombe, o trabalho conjunto entre os dois países decorre há vários anos e tem como principal foco a melhoria do desempenho do corredor N4. “Eles aumentam a pressão que já temos vindo a sentir em relação ao funcionamento de todo o fluxo logístico ao longo do nosso corredor”, afirmou, referindo-se ao aumento do tráfego nesta época festiva. O governante explicou que foi realizada uma análise detalhada a partir do quilómetro sete, no lado sul-africano, com o objectivo de avaliar o funcionamento e o desempenho do sistema. “O que fizemos foi analisar o funcionamento, o desempenho e procurar compreender quais as questões que podem ser melhoradas do lado sul-africano”, esclareceu. Apesar da avaliação técnica efectuada, os dois ministros concluíram que os processos e procedimentos alfandegários precisam de ser melhorados em ambos os países. “Os nossos colegas das autoridades fiscais e aduaneiras do nosso lado estão, felizmente, a fazer um excelente trabalho”, disse João Matlombe, reconhecendo, no entanto, a grande pressão existente no lado sul-africano. O ministro defendeu não fazer sentido melhorar os sistemas apenas de um lado da fronteira. Por essa razão, foi assumido um compromisso conjunto para evitar a duplicação de processos. “Tudo o que for feito do nosso lado não deve ser feito novamente do lado sul-africano. Isto ajudará a aliviar a situação”, sublinhou. Durante a visita, João Matlombe chamou igualmente a atenção para a organização das equipas nos postos fronteiriços. Segundo explicou, não é eficiente que existam espaços para dez a 15 funcionários, e que apenas dois ou três estejam em funções, situação semelhante à verificada nas cabines alfandegárias, que acaba por contribuir para congestionamentos e enchentes. “Tudo o que for feito do nosso lado não deve ter de ser feito novamente do lado sul-africano. Isto ajudará a aliviar a situação”João Matlombe Face à pressão actual no corredor, o ministro destacou ainda a importância de reduzir a fadiga dos condutores como forma de prevenir acidentes rodoviários. “Tomámos medidas e continuaremos a monitorizar. As equipas já estão a trabalhar”, garantiu, associando estas acções à melhoria da segurança rodoviária nas estradas nacionais. Como resultado do trabalho conjunto, a partir desta semana será possível ter uma visão geral da logística desde o quilómetro sete até à cidade de Maputo. “Estamos a começar a integrar os sistemas neste momento”, afirmou, lembrando que, do lado moçambicano, o corredor está praticamente todo digitalizado, ao contrário do lado sul-africano, cuja integração é essencial para permitir decisões informadas e atempadas. Por fim, João Matlombe deixou uma mensagem directa aos condutores, apelando a uma maior responsabilidade e segurança na estrada. “Seremos rigorosos em todas as situações consideradas graves e que podem contribuir para a ocorrência de acidentes”, afirmou.
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