advertisemen tO Ministério Público cabo-verdiano realizou, na sexta-feira (12), diligências de busca e apreensão nas instalações da Câmara Municipal da Praia, capital do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegadas práticas de corrupção e outros crimes económicos, tal como informou a Lusa. De acordo com um comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR), a acção foi motivada por novas denúncias que apontam para suspeitas de falsificação de documentos, participação ilícita em negócio, defraudação de interesses públicos patrimoniais e corrupção activa e passiva. Em causa está, entre outros, o processo de dação em cumprimento de terrenos localizados no Complexo Babilónia, na zona da Prainha, bem como de cinco outros imóveis situados nos bairros da Cidadela e do Palmarejo Grande. As buscas decorreram em dois edifícios municipais: a Direcção Patrimonial e Financeira, na zona da Fazenda, onde os funcionários colaboraram com os procuradores e entregaram documentação considerada relevante, e nos Paços do Concelho, no Plateau, onde, segundo a PGR, as portas encontravam-se fechadas e os funcionários ausentes. Face à recusa de acesso, alegadamente por ordens do presidente da autarquia, Francisco Carvalho, o magistrado do Ministério Público ordenou o arrombamento de um portão lateral, tendo sido apreendidos documentos no gabinete presidencial. Paralelamente às buscas, o Ministério Público ordenou ainda a apreensão formal dos terrenos anteriormente referidos, os quais já haviam sido alvo de acusações políticas em Setembro passado, quando o Movimento para a Democracia (MpD), partido no poder, denunciou a alegada alienação irregular de imóveis do Estado, imputando responsabilidades ao edil da Praia. Francisco Carvalho, que lidera também o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, reagiu publicamente às diligências através de uma publicação nas redes sociais, onde classificou a acção como “utilização dos órgãos institucionais por motivações políticas”. O autarca garantiu, contudo, que a sua gestão continuará a trabalhar “em prol da população”. Esta é a segunda operação do género conduzida pelo Ministério Público no espaço de dois anos. Em Maio de 2024, foram igualmente realizadas buscas na autarquia e em duas empresas privadas, na sequência de investigações iniciadas após auditorias da Inspecção-Geral das Finanças e denúncias apresentadas por um inspector do mesmo organismo, relativas aos períodos de gestão entre 2016 e 2024.

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