advertisemen tA Grande Muralha Verde, iniciativa pan-africana de combate à desertificação e à degradação dos solos no Sahel, conta com um apoio robusto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que se comprometeu a alocar cerca de 6,5 mil milhões de dólares até 2030, no âmbito dos seus programas em curso. De acordo com um comunicado oficial, a informação foi reafirmada durante uma sessão realizada a 18 de Novembro, na 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP 30), em Belém, no Brasil. Sob o lema “Aumentar o financiamento da Grande Muralha Verde: da ambição climática à acção integrada para a terra, a natureza e as populações”, o encontro reuniu representantes de instituições financeiras multilaterais, Governos africanos e agências técnicas, com o objectivo de reforçar as estratégias de mobilização de recursos, incluindo financiamento privado e instrumentos inovadores. A Grande Muralha Verde tem por objectivo restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas, sequestrar 250 milhões de toneladas de carbono e criar dez milhões de empregos verdes em 11 países africanos, desde o Senegal até Djibuti. Lançada há 15 anos, a iniciativa já permitiu recuperar milhões de hectares e gerar milhares de postos de trabalho, mas enfrenta lacunas significativas em termos de financiamento e capacidade institucional. Segundo Almoustapha Garba, secretário executivo da Agência Pan-Africana da Grande Muralha Verde, com sede em Nouakchott, os fundos anunciados em 2021 — no montante total de 19 mil milhões de euros — incluem projectos actualmente em curso e financiamentos futuros a serem executados por diversos parceiros, não sendo transferências directas para a agência. O BAD tem assumido um papel central neste esforço colectivo, não apenas através do financiamento, mas também no reforço institucional e técnico da Agência da Grande Muralha Verde, apoiando auditorias, capacitação e elaboração de projectos viáveis. Al-Hamndou Dorsouma, chefe da Divisão de Clima e Crescimento Verde do BAD, sublinhou que é fundamental desenvolver um pipeline de projectos financiáveis, de modo a atrair novos recursos, incluindo financiamento misto, obrigações verdes, mercados de carbono e fundos climáticos. Durante a sessão, Sékou Koné, representante do Ministério do Ambiente do Mali, apelou à criação de um quadro jurídico claro e de um ambiente económico favorável para proteger os investimentos e atrair mais parceiros, inclusive do sector privado. Mencionou ainda a recente criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forest Forever Facility), lançado sob a presidência brasileira da COP 30, ao qual já aderiram 74 países. Os participantes destacaram a necessidade urgente de reforçar as estruturas nacionais e o envolvimento das comunidades locais para facilitar o acesso directo aos balcões de financiamento climático. A Grande Muralha Verde é considerada um modelo de intervenção integrada para restauração de ecossistemas, resiliência climática e desenvolvimento sustentável em África.

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