advertisemen tA Galp desvalorizou mais de 1,77 mil milhões de euros na bolsa de Lisboa na sessão de terça-feira (9), após vender 40% de um bloco petrolífero à TotalEnergies na Namíbia, o que desiludiu os investidores e fez a companhia terminar a sessão do dia a valer 10,284 mil milhões de euros. Segundo noticiou o Jornal Económico, os franceses ficam com 40% da área Pel 83, com a Galp a manter uma fatia de 40%. A companhia portuguesa fica com participações de 10% na PEL 56, onde fica Venus, e na PEL 91 com 9,4%. Os franceses ficam responsáveis por operar a PEL 83 e vão cobrir metade dos custos de investimento da Galp para exploração, avaliação e desenvolvimento do campo Mopane. A campanha de exploração e avaliação na PEL 83 será lançada nos próximos dois anos, com pelo menos três poços. “É um operador conceituado com experiência em águas ultra-profundas como na Namíbia”, afirmou a co-CEO da Galp, Maria João Carioca, em conferência de imprensa, clarificando: “Ficámos com exposição aos dois maiores recursos descobertos até hoje na Namíbia, Venus e Mopane. Estamos a aumentar o potencial. É absolutamente essencial ter um operador altamente credível, mas que também tivesse solidez financeira para avançar com este investimento ao ritmo certo.” Na terça-feira, mais de 11 milhões de acções da Galp trocaram de mãos face ao volume médio de 1,59 milhão dos últimos três meses. A entrada de um sócio no consórcio da Galp é uma forma de “reduzir a exposição financeira e o risco”, e uma prática corrente nesta indústria, dadas as elevadas necessidades de investimento, que podem atingir 10-12 mil milhões de euros ao longo de vários anos, até um poço começar a produzir petróleo. “Estamos muito cientes da importância deste activo para a Galp. Era crítico reduzir o risco” e ter um operador com “arcaboiço e experiência”, acrescentou Carioca. A UBS (instituição financeira global) chegou a prever, em Outubro, que o negócio poderia ser fechado por 200 milhões de euros iniciais, mais 3 mil milhões de euros em custos de projecto cobertos pelo comprador. A Galp revelou anteriormente que a área de Mopane pode contar com 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo O acordo está sujeito à aprovação do Governo da Namíbia, das entidades reguladoras e dos parceiros, esperando que seja finalizado durante 2026. A área de Venus deverá arrancar com a produção até 2030, no melhor cenário possível, seguindo-se Mopane, dois ou três anos depois — prevê a companhia. Isto vai permitir “antecipar alguns fluxos de caixa. Temos uma ponte até chegar a um estado de maturidade activo”, assinalou a gestora. A bacia de Orange ao largo da Namíbia é uma das zonas de fronteira mais recentes e que tem vindo a atrair mais atenção nos últimos tempos. A Galp revelou anteriormente que a área de Mopane pode contar com 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo. A concretizar-se, pode vir a ser uma das maiores descobertas mundiais de petróleo na última década. “É um operador conceituado com experiência em águas ultra-profundas como na Namíbia” Maria João Carioca – co-CEO da Galp A Total está a negociar com as autoridades do país o desenvolvimento da área de Venus, próxima de Mopane, mas que vai requerer o investimento de 11 mil milhões de dólares para a construção e exploração de um navio-plataforma com capacidade para extrair 160 mil barris diários. Sobre a venda maciça de acções verificada na terça-feira, o co-CEO da Galp, João Diogo Silva, disse que a companhia tem uma “visão de longo prazo. Este é um caminho longo, com volatilidade. É um longo processo. Há um conjunto de indicadores que estarão a ser digeridos pelo mercado. Quem esperava benefícios mais de curto prazo, provavelmente terá ficado menos entusiasmado.” Por sua vez, Maria João Carioca sustentou: “Não trocamos cash por valor”, acrescentando que, na base do sell-off terão estado “investidores com perfil mais orientado para o curto prazo” numa perspectiva de “devolução de dinheiro mais rápida. O que para nós era absolutamente crítico era ter um operador com condições para avançar o mais rapidamente possível, com alinhamento relativamente ao activo, e com algum compromisso relativamente ao ritmo de execução.” No campo de Venus, os franceses estão a trabalhar na criação de um navio-plataforma (FPSO), com capacidade para produzir 160 mil barris diários, esperando fechar a decisão de investimento em 2026. A Galp realizou extensos trabalhos de avaliação na Namíbia, incluindo vários levantamentos sísmicos 3D e oito poços de exploração e avaliação desde 2012, quando iniciou as suas operações no país. Cinco desses poços foram perfurados desde Dezembro de 2023, levando à descoberta de Mopane. Como fica o mapa na Namíbia? PEL83: Galp (40%), TotalEnergies (40%, operador), Namcor (10%) e Custos (10%); PEL56: TotalEnergies (35,25%, operador), QatarEnergy (35,25%), Galp (10%), Namcor (10%), Impact (9,5%); PEL91: TotalEnergies (33,085%, operador), QatarEnergy (33,025%), Namcor (15%), Galp (9,39%), Impact (9,5%).
Painel